O esquema Ponzi das agências de publicidade
Como todas as pessoas normais, estou lendo bastante artigos econômicos, para entender o fim do mundo. A explicação do esquema das pirâmides (também conhecido como Esquema Ponzi), onde os que entram depois pagam o pato dos que entraram antes.
O caso Madoff é comprovadamente um. Avon, Natura, algumas redes de afiliados de propaganda da net, também. Você entra, e sai convidando os amigos para entrarem também, todo mundo ganhando com isso, até que as pessoas param de entrar e o negócio quebra.
E a criação publicitária com isso? Vejam a pirâmide, em ordem do maior pro menor:
Estagiário
Vejam só: você é um jovem, criativo, com vontade de mudar o mundo. Vai fazer propaganda na universidade, ou design, ou o que for. Arruma um estágio. Não te pagam nada, ou quase nada. Dizem que é a hora de você aprender. Mas é você que opera o photoshop, que quebra a cuca pra fazer coisas novas, etc. E cumpre ordens. Então você vai subindo.
Júnior
Você tem mais tempo livre para pensar coisas interessantes, porque o estagiário está se quebrando para diagramar o folder, do jeito que você quer. Ainda não vai fazer as propagandas legais, as divertidas, as que dão dinheiro, porque o briefing está nas mãos do
Sênior
Você já ganha bastante dinheiro, entende como funciona o esquema, e tem várias pessoas sob o seu comando. Tem mais tempo, dinheiro e poder. Sonha em virar
Diretor de criação
Porque são poucos, e os que realmente lucram, não sendo, necessariamente os que mais trabalham.
Segundo a teoria, os esquemas de pirâmide funcionam algum tempo, porque as pessoas não são recompensadas pelo lucro gerado pela estrutura, mas sim pelo lucro gerado pelo trabalho dos novos que estão entrando. Ou seja, os DCs ganham seu salário pela força do trabalho do Sênior, que ganha do Júnior, que ganha do Estagiário. E como sempre entrarão estagiários, a estrutura funciona. Porém, quando o trablaho dessa galara para de gerar dinheiro suficiente para sustentar todo mundo, a pirâmide quebra. Ninguém mais quer entrar na estrutura como estagiário, o pessoal do meio procura outra maneira de ganhar dinheiro, e o castelo desmorona.
Há 20 anos, os diretores de criação ganhavam salários astronômicos, viviam com luxo, tinham status. Por isso, valia a pena entrar no esquema como estagiário, e trabalhar (duro, duro, muito duro) até chegar lá em cima. Hoje, tenho cada vez mais a impressão que não, o topo não é tão favorável assim, e que a bolha da criatividade das agências estourará.
