Lutando contra o autor

by Alex Luna

Um dos grandes conflitos que eu tive quando fui escrever Elas e outras histórias foi o da verdade x ficção. Algumas das histórias são reais e algumas meninas também. Nenhuma, exceto Maria, tem o nome verdadeiro (afinal de contas, quem quer saber? até parece que o livro é assunto de coluna social…).

Então, comecei a imaginar alguma pessoa que me conhece lendo o livro e tentando descobrir quem é, quem não é, se aconteceu ou não. Algo parecido com o Dom Casmurro, do traiu ou não traiu, que é um mistério interessante, que esconde algo ainda mais misterioso. A pergunta é: Pode-se confiar no autor? Eu digo, no começo do livro, que tudo é falso. Mas deixo pistas do que é verdadeiro. E tem coisas ali que eu não digo nada, nem sob tortura. (Bom, depende da tortura).

Então, nesse tipo de livro, em que o autor escreve como um personagem, e em primeira pessoa, o leitor tem que lutar contra o que está lendo, não acreditar em nada. Como viver, ou filosofar. É impossível saber se Capitu traiu. É mais fácil descobrir a resposta para a Vida, o Universo e todo o demais. Talvez isso seja a única graça dos contos, saber se uma história rancorosa é verdade e o rancor é justificado, ou se ainda há o amor que o narrador diz que existe, porque no fim das contas, o final de todas as histórias é o mesmo.

Por causa da maldita sincronicidade que me persegue, li hoje um post da Lulu em que ela discute isso, e outra coisa que também eu andava me confundindo quando escrevi: há contos que praticamente não tem história, é simplesmente a descrição de uma cena. O primeiro Leila, por exemplo, não tem narrativa, mas mesmo assim eu gosto muito. Por coincidência também, Lulu é o site que imprime o livro, e o pseudônimo de um blogueiro famoso que eu adoro ler.

Ah, sincronicidade. Se eu fosse inteligente, escreveria algo sobre ti.

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