De onde vêm as notÃcias?
by Alex LunaArtigo publicado no jornal Contraponto, de João Pessoa, ParaÃba.
Numa conferência do ted.com, Alisa Miller, pesquisadora de comunicação americana, apresentava dados e uma análise sobre o porquê de os americanos saberem tão pouco sobre outros paÃses.
Mostrava, por exemplo, que no mês de fevereiro de 2007, se falou mais da morte de Anna Nicole Smith que de qualquer outra coisa em qualquer outro paÃs. E num mês em que a Coréia, a China e a França tomaram decisões importantes e que influenciaram o mundo inteiro.
Antes de cair na análise-clichê que o público americano só está interessado nisso, ela levantou outro ponto, mais inteligente e bastante menos discutido: o custo de receber notÃcias de outros paÃses.
Para que, por exemplo, a Reuters tenha notÃcias de boa parte do mundo, precisa ter jornalistas aÃ. Gente preparada, equipamentos, etc. Por isso, não tem escritórios em todo o mundo. Duvido que haja um, por exemplo, em Recife. No máximo, eles têm um acordo com alguma empresa de jornalismo local. Então, se para eles é caro, para a CNN é impossÃvel. Para a Globo, mais ainda. No Brasil, algo que a Vênus Platinada não tem dinheiro para fazer é impossÃvel para qualquer empresa de comunicação. Logo, é carÃssimo ter jornalistas em todas as partes do mundo. É preciso recorrer aos 4 correspondentes internacionais, e mandá-los viajar para onde haja uma notÃcia.
Porém, o buraco é mais embaixo. Ela mostrava que a grande maioria das pessoas vê veÃculos locais. Os jornais diários da ParaÃba são mais lidos no estado que a Folha, que por sua vez é mais lida que o NY Times. Natural, não? Claro, mas isso cria um desvio na pesquisa dela, que significa que os veÃculos de comunicação que têm MENOS acesso ao mundo mais distante são os MAIS lidos.
Mesmo com a internet, ainda há uma dificuldade de chegar a notÃcias de outros lugares, em qualquer parte do mundo. Lembro quando era criança que meu pai ia aos sábados a uma banca de jornais no centro da cidade que era a única que tinha o Globo, ou o Correio Brasiliense, ou algum outro jornal que na década de oitenta demorava pra chegar, e só chegava a edição do fim de semana. Hoje, talvez o encontre diariamente no Mag Shopping, mas eu ainda duvido muito que chegue El Periodico de Catalunya. Porque a única notÃcia daquele lugar que pode interessar a alguém na ParaÃba é se vão ou não vender o Ronaldinho, e isso qualquer jornal têm.
Este fenômeno, creio eu, é mundial. Provavelmente esta edição do Contraponto, que logicamente eu não tenho acesso na hora de escrever a coluna, terá muito mais noticiário nacional que estrangeiro. E muito mais notÃcias sobre a ParaÃba que sobre o Brasil. E possui, dentre todos os que fazemos o jornal, muito mais gente em João Pessoa que em qualquer outro lugar do mundo.
Moral da história: as pessoas estão sim, mais interessadas em sua vizinhança, nos assuntos mais conhecidos, e poucos estão interessados nos casos de corrupção urbanÃstica dos prefeitos e administradores de Marbella, e mesmo os que estão interessados precisam de veÃculos de comunicação muito mais especÃficos que os seus jornais locais.
Como estamos em democracia na maior parte do mundo, a maioria vence. E a maioria não quer saber do outro lado do mundo, exceto se for um desastre de proporções tsun”micas.