O que lêem os que não lêem
by Alex LunaArtigo publicado no jornal Contraponto, de João Pessoa, ParaÃba.
Nunca antes na história deste paÃs os jovens leram tanto.
É verdade, e é uma pena. Há pouquÃssimos anos, na metade da minha adolescência, em meados dos anos 90, eu já lia como um desesperado tÃmido, mas isso era raro entre os meus amigos e colegas de escola da mesma idade. Conhecia a vários garotos que não liam praticamente nada, durante o dia, além do número do ônibus que iam pegar, um ou outro papel que encontravam por aà e pouco mais. Livros, nunca. Revistas, raramente, sendo a maioria de mulher pelada. Escrever? Para quê? E para quem?
Hoje, um jovem médio deve escrever umas 10 SMS por dia, e conversa horas no MSN, no orkut, no djabaquatro. Eles escrevem, super mal, mas escrevem. Leem as besteiras que eles mesmos escrevem, mas leem. E visitam sites de assuntos que os interessam, como futebol, fofocas adolescentes ou qualquer outra coisa pouco útil do gênero. Mas são adolescentes, eles podem.
O público leitor de jornais é cada dia menor. E não é formado de maneira proporcional na população. Há pouquÃssimas pessoas com 20 e muitos, 30 e poucos que lê impressos. A maioria deles nem viveu a revolução digital, já começou a se interessar por notÃcias e artigos numa época em que estes já estavam disponÃveis no computador.
[inserir aqui o protesto dos antigos leitores, que o papel é mais cômodo, mais prático, "estou mais acostumado".]
A grande maioria dos jovens não pensa assim.
Eles veem as notÃcias na internet, na mesma hora que o jornalista, sentado dentro de uma redação, que irá transformar aquilo no que os leitores antigos irá ler no dia seguinte. Eles comentam as notÃcias. Interagem com elas e as multiplicam. Seria um trabalho ótimo para uma turma de 2″º perÃodo de jornalismo investigar, durante 3 semanas, quê notÃcias de um determinado jornal saÃram primeiro, se na net ou impressa, investigar a diferença de tempo (lag) entre o digital e o impresso, e também a profundidade do conteúdo. Na grande maioria dos casos (polÃtica, economia e ciência), a internet possibilita uma quantidade maior e mais profunda de análise, explicação e detalhamento. Além de permitir erratas e discussões.
Os adultos sempre dirão que os jovens não leem. É fato. Afinal, nas primeiras fases da vida, é bastante mais interessante dedicar o tempo a produzir, a namorar ou a vagabundar por aÃ. Depois, quando formos responsáveis, leremos as coisas importantes. Ou não.
Mas não se pode negar que há, hoje em dia, muito mais comunicação escrita do que antes.
Em português e em miguxês.
Eu acho que cada um continuará cumprindo seu papel: os jovens querendo fazer tudo à sua maneira, e os velhos reclamando do que não for feito à moda antiga.
Pessoalmente, já tou na idade de reclamar dos miguxos e de ainda acentuar as conversas por IM!