Artigo publicado no Contraponto em 21 de setembro de 2007
Nenhum profissional de comunicação sabe dizer exatamente o que vai fazer daqui a 10 anos. Os grandes, ou estão apegados a fórmulas antigas esperando a aposentadoria ou estão se renovando da maneira mais rápida possível. Os professores ensinam, nas universidades, o que aprenderam, na esperança de que seja útil, e os alunos, perdidos, não sabem onde aprender a entender o mundo e o que é ser um comunicador profissional (amador, todos somos).
Na primeira aula sobre comunicação de massa, aprendemos quem é emissor de uma mensagem, quem é receptor, meio, Marshall MacLuhan e sua revolução, etc. O grande problema é que todos esses modelos foram feitos numa época em que eram necessários equipamentos caríssimos para falar com uma grande quantidade de pessoas, e estas não tinham os meios para responder.
Agora a dificuldade financeira acabou. Vídeos caseiros já conseguiram milhões de exibições, coisa que pouquíssimos comerciais da televisão brasileira conseguiram, e nenhum comercial local da Paraíba chegou a sonhar, apenas para dar uma idéia.
Há uns 20 anos, as crianças mandavam cartas para o programa da Xuxa. Um processo pré-histórico, demorado, que envolvia o esforço de várias pessoas, leituras, transporte, aviões, para que a apresentadora lesse uma mensagem quase insignificante (exceto para a criança) na televisão. Era difícil responder a uma mulher que falava diariamente com 20 milhões de crianças. Ela dizia, nós escutávamos. Hoje, custa uma mensagem SMS. Agora há diálogo.
O quê muda no trabalho do comunicador? Bom, basicamente, é que acaba a idade do discurso, e entramos na idade do diálogo. Temos a obrigação de escutar o que nos dizem os consumidores, se somos publicitários, ou os leitores, se escrevemos para uma revista. Não adianta mais dizer que o seu produto é bacana, fashion, muderno, na televisão, e esperar que as pessoas acreditem. Elas podem, e vão responder, inventar, opinar.
E quais são as vantagens disso? E as desvantagens? Quais são as diferenças? Bem, as mesmas que existem falar para uma c”mera e participar de um debate com várias pessoas. A c”mara lhe escuta, e nada mais. Futuramente, alguém verá o filme e reagirá. Mas será um processo independente da sua ação e da sua vontade. No debate, você precisa ser interessante para ser ouvido, precisa falar algo que as pessoas desejem escutar, dar atenção a elas para saber disso, e no fim das contas, aprende e ensina.
Está aberta a discussão. Respostas no email abaixo.
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É engraçado, irônico e até agourento que uma coluna sobre esses temas estivesse saindo num jornal como o Contraponto, baluarte de inovadorismo, tecnololgia e adequação ao nosso século.
hahahahaha
E ele lia?
Ele leu todas.
Assim como o seu velhinho, ele é um dos poucos que lê vários jornais diários, em papel, e por inteiro.
hahhahaahaa. manda ele vir comentar aqui.
O mais irônico é eu sempre escutar comentários de gentes paraibanas dizendo que os meus textos do Contraponto eram legais, etc, etc. Mas eu sempre tive a impressao que ninguém os lia.
Alguém lia?
Eu lia quando aparecia por aqui, ou quando me encontrava com Tio Pat, um dos poucos assinantes do jornal.
Ele vinha me perguntando "Você leu o artigo de Alexandre Filho dessa semana?"
E eu, "Não tio, ele ainda não publicou na internet"