Não é normal

Mas as vezes a gente tem orgulho do povo brasileiro.

Nego

gosto muito das minhas raízes, todas arrancadas à força.

Daqui a uns dias, apague um amigo

Jimmy Kimmel está convocando em seu programa o dia nacional de desamigar alguém. Não que você deixe de falar com amigos de infância, mas que comece a apagar essas pessoas que te seguem, que você, enfim, aquele povo que está no Facebook e não dá a mínima pra você.

Um amigo, segundo ele, é quem responde quando você pede um favor na timeline. Me empresta 50 conto? Avisa por aí que eu tô procurando trabalho? Me convidou pra uma festa de aniversário? Me ligou ou mandou um email no dia no meu aniversário? Tem o número do meu telefone?

Quem topa?

O twitter tem um pouco mais de lógica: lá é follower e following. Eu não sigo, necessariamente, meus amigos.

Enquanto escrevia um mail, um desconhecido, que pode até ser um seguido ou seguidor do twitter (não reconheci o avatar) pediu autorização pra ser meu amigo no Foursquare. Bicho, gente que nunca conversou comigo querendo saber onde eu estou (a resposta é perdido, como sempre).

Gente que aparece no LinkedIn, dá um me add please, e nunca mais fala com você.

Quem me conhece mesmo, sabe que eu adoro trocar emails. Gosto mesmo. Não tenho o menor problema de contar a minha vida inteira ou ouvir pitangas alheias, mas já tô começando a ficar meio noiado com a quantidade de informação besta, de ter tanta gente e tão pouco acréscimo na vida.

Aí, vendo a argumentação dos caras, começo a me sentir velho. Ou a pensar se, realmente, não deveria seguir os conselhos e sair apagando geral.

Lembrem-se, 17 de novembro, dia mundial de sair apagando geral aquela galera que pode até ser, mas não é seu amigo.

Porque o William Shatner disse que eles não são seus amigos.

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Sneaky peak no romance

Como alguns leitores devem saber, estou escrevendo pouco por aqui porque estou participando do NaNoWriMo, e me convenci a escrever um romance de 50 mil palavras em um mês. É texto pra caramba. Tenho um monte de textos preparados pra ir subindo durante o mês de novembro, mas quando encontrar algum parágrafo do romance que valha a pena publicar isolado por aqui, eu vou soltando.

Esta frase saiu, simplesmente saiu, da boca de uma personagem. Juro que não fui eu.

Tem gente que cresce, tem gente que muda. Tem gente até que faz os dois ao mesmo tempo.

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Haiku incompleto (I) – Retrato p&b

A minha cara, perdida num negativo,
Nunca foi tão positiva com um sorriso de criança.

Originally posted 2009-01-22 16:44:00. Republished by Blog Post Promoter

Citação da semana: Alan Moore

Na minha lógica, o leitor nunca se irá interessar em ler uma história escrita por mim, se eu próprio não estiver interessado em escrevê-la. Isso pressente-se, não te parece? Penso que os leitores são muito bons em descobrir se o autor gostou realmente de fazer o seu trabalho.

Palavra da salvação.

Originally posted 2010-04-02 18:06:11. Republished by Blog Post Promoter

Ordem no regresso

Tinha que pedir pra autenticar, pedir o número, regularizar o cadastro, fazer uma fotocopia, preencher o formulário, passar no guichê, entregar a ficha, esperar a vez, entregar o comprovante, pagar o boleto, guardar a segunda via, subornar o despachante e telefonar mais tarde porque a pessoa responsável do setor saiu pra resolver um probleminha na rua, e se atrasou porque

esqueceu de pedir pra autenticar, pedir o número, regularizar o cadastro, fazer uma fotocopia, preencher o formulário, passar no guichê, entregar a ficha, esperar a vez, entregar o comprovante, pagar o boleto, guardar a segunda via, subornar o despachante e telefonar mais tarde porque a pessoa responsável do setor saiu pra resolver um probleminha na rua, e se atrasou porque

perdeu a hora de pedir pra autenticar, pedir o número, regularizar o cadastro, fazer uma fotocopia, preencher o formulário, passar no guichê, entregar a ficha, esperar a vez, entregar o comprovante, pagar o boleto, guardar a segunda via, subornar o despachante e telefonar mais tarde porque a pessoa responsável do setor saiu pra resolver um probleminha na rua, e se atrasou porque

pensou que não era necessário pedir pra autenticar, pedir o número, regularizar o cadastro, fazer uma fotocopia, preencher o formulário, passar no guichê, entregar a ficha, esperar a vez, entregar o comprovante, pagar o boleto, guardar a segunda via, subornar o despachante e telefonar mais tarde porque a pessoa responsável do setor saiu pra resolver um probleminha na rua, e se atrasou porque

chegou no dia errado para pedir pra autenticar, pedir o número, regularizar o cadastro, fazer uma fotocopia, preencher o formulário, passar no guichê, entregar a ficha, esperar a vez, entregar o comprovante, pagar o boleto, guardar a segunda via, subornar o despachante e telefonar mais tarde porque a pessoa responsável do setor saiu pra resolver um probleminha na rua, e se atrasou porque

ainda não era a hora de pedir pra autenticar, pedir o número, regularizar o cadastro, fazer uma fotocopia, preencher o formulário, passar no guichê, entregar a ficha, esperar a vez, entregar o comprovante, pagar o boleto, guardar a segunda via, subornar o despachante e telefonar mais tarde porque a pessoa responsável do setor saiu pra resolver um probleminha na rua, e se atrasou porque

se atrapalhou  pra pedir pra autenticar, pedir o número, regularizar o cadastro, fazer uma fotocopia, preencher o formulário, passar no guichê, entregar a ficha, esperar a vez, entregar o comprovante, pagar o boleto, guardar a segunda via, subornar o despachante e telefonar mais tarde porque a pessoa responsável do setor saiu pra resolver um probleminha na rua, e se atrasou porque

ninguém disse que precisava pedir pra autenticar, pedir o número, regularizar o cadastro, fazer uma fotocopia, preencher o formulário, passar no guichê, entregar a ficha, esperar a vez, entregar o comprovante, pagar o boleto, guardar a segunda via, subornar o despachante e telefonar mais tarde porque a pessoa responsável do setor saiu pra resolver um probleminha na rua, e se atrasou porque

estava engarrafada no trânsito, bloqueado por uma passeata contra a burocracia.

Fluxo

Humores em movimento.

Quando o autor e o papel se tornam um, e o pensamento escorre por músculos, nervos, ondas cerebrais, impulsos elétricos, choque entre pele e plástico, raspar de unhas na tinta impressa no teclado, luz que entra pela pupila, impressiona a retina e volta a se converter em eletricidade, proteínas que reagem formando memórias, células morrem e se reproduzem e criam conexões que não existiam, numa sequência retroalimentada alimentada pelo fosfato da cabeça.

Até que a palavra sai.

Preview de um parágrafo de um conto de mentirinha

Em janeiro, vou postar outro conto pro projeto mentirinhas. Não sei se tem muita gente acompanhando ou mesmo que sabe que a coisa existe.

Esta história está engasgada há uns 3 anos, já. O parágrafo lá embaixo foi um dos primeiros a sair, e está praticamente intacto. Foi bem divertido misturar algumas referências óbvias e outras que absolutamente ninguém vai entender, porque é uma piada interna que só uma pessoa conhece, e eu surpreenderia muita gente se dissesse que escrevi uma piada pra ela.

Mas o bom mesmo é que eu acho graça na história, pô. É sinal de saúde mental quase perfeita.

Cara compungida, silêncio solene, olhares de soslaio de tias velhas repreendendo o acompanhante do neto enlutado, que soluçava encostado no ombro de Marcos. Este, observava, pensava na inexorabilidade da morte, na inevitabilidade do julgamento familiar e na insuportável leveza do ser.

Originally posted 2011-02-17 21:34:24. Republished by Blog Post Promoter

O osso do riso

A prova irrefutável
Que dá pra apanhar
Sorrindo