Eu escrevo porque preciso.

Deveria

Posted: July 25th, 2010 | Author: tarrask | Filed under: crônica | Tags: , , , , , , , | 3 Comments »

Você devia ter tido um namoro adolescente comigo. Pra aprendermos juntos o bom e o ruim de nossa vida depender de alguém. Mas aprendemos com outros.

Devíamos ter tido um rolo na universidade, desses que já apresentam os problemas da idade adulta (infidelidade, ciúmes, falta de interesse, conflitos entre amigos, namoro e trabalho, etc), pra que as minhas cicatrizes tivessem o teu nome.

Devíamos ter ido morar juntos, com pouca grana e muita vontade de construir algo, viver de amor, respirar num castelo de sonhos, que seria desfeitos num passe de mágica e um choque de realidade.

Nunca aconteceu, então o quê nos resta?

Uma foda mágica e homérica, inesquecível de tão intensa, cheia de sabores, surpresas e descobertas, sem restrições nem planos futuros, porque não haverá nenhum.

Vale a pena destruir uma amizade por este momento mágico?

Eu acho que sim.


Ligue para mim, antes que o mundo acabe

Posted: July 16th, 2010 | Author: tarrask | Filed under: Conto | Tags: , , | 3 Comments »
O dia que Raquel não telefonou

O dia que Raquel não telefonou


Sexo e as cidades: Recife

Posted: July 15th, 2010 | Author: tarrask | Filed under: crônica | Tags: , , , , , , , , , | 9 Comments »

A Recife é suja, de areia de praia, de lama e caldo de caranguejo. Valoriza o mal-feito, o desleixo e o deseducado. É cultura roots. É união de coisas diferentes demais, brasis demais, um turbilhão de sentimentos e paradoxos. Recém saída da adolescência, ainda está se descobrindo. E derrama a sua beleza pro mundo.

Uma flor que nasceu no mangue para suar o sal da praia

Quer pisar na terra e citar Foucalt, ser Suassuna e holandesa, com a pele mulata, marca de biquini, perna grossa e peito pequeno. Fala dos problemas do mundo com um copo americano de cerveja na mão. Gatinha cultural do burburinho, sonha com ser Europa, com ser sofisticada, tem ânsia de conhecimento. Uma mulher Recife é menina, até quando é avó.

Recife se entrega com paixão nos braços do mulato que dança capoeira, cai no papo do jornalista cultural com a mesma desenvoltura que sonha com um príncipe encantado neto de senhor de engenho e sobrenome de quatro sílabas.

Beija com furor, mas olha pra vida dos outros com recato. Nega até a morte, para a sociedade é uma dama, lady, quase virgem, uva que a raposa só desfruta depois de casar. Mas com aquele rebolado sapeca, cabra, que eu sei que quando se solta, ninguém segura. Bote a mão na cabeça e segure o juízo.

Sonha com flores do campo, uma casa caiada de cerquinha branca, dois filhos loirinhos. Isso, ou um carnaval em Olinda, passando o rodo geral. É a mulher de vestidinho, sapato baixo, bronzeada, com curvas e faróis acesos ao céu aberto mais linda do mundo. Só quer ser ela mesma, ou Audrey Hepburn, ou um passista de Maracatu, ou uma cachoeira. Qualquer coisa ou quase tudo. Recife quer. Quer muito e quer demais. É querência demais pra um só coração que ninguém aplaca, nem cordel nem canção.

Recife é o completo choque paradoxal da existência.

Céu de Recife

As estrelas todas pousaram e o chão de Pernambuco brilhava

Este post é uma continuação da série de posts sobre cidades. O primeiro foi Paris e o segundo, Madri.


Todo castigo para corno é pouco

Posted: July 14th, 2010 | Author: tarrask | Filed under: crônica | Tags: , , , , , | 1 Comment »

Falcão já dizia, há muito tempo. E acho que é mais ou menos por aí.

O mundo é nojento, as pessoas são bastante irracionais e os cornos reagem de mil maneiras diferentes. Por isso até, existe 70% das músicas que conhecemos.

Entretanto, é um absurdo, uma vergonha, uma palhaçada, que um grupo de animais chifrudos reaja e trate qualquer ser humano como fazem em alguns países árabes, especialmente, o Irã. Vocês já devem ter ouvido no caso de Sakineh Mohammadi Ashtiani, que foi condenada por um tribunal à morte por apedrejamento por um caso de traição.

Clique aqui, assine uma petição e espalhe a notícia.

Ironia

Ela, aparentemente, não vai mais ser apedrejada PELO ESTADO por causa da pressão internacional. Vai ser enforcada, ou morta de alguma outra maneira mais humana. Todas as outras mulheres condenadas continuarão a ser apedrejadas. Não no sentido Geisy da palavra. Pedra mesmo. Pare 5 minutos e tente imaginar.

Crime? Castigo?

Acho que alguém que comete um adultério, bota chifres ou dá uma escapadela merece ser punido. Acho que o corno tem o direito de passar o tempo que quiser escutando música de fossa, referir-se à pessoa (seja homem, mulher ou objeto animado) pelos piores nomes possívels, ofender a memória, passar vexame em público, tudo o que for. Porém, colocar o Estado no meio, não. Chifre, cada um cuida do seu.

Barbárie

O estado -me recuso a usar a palavra sociedade, grupo de humanos que promove linchamento pra mim é bicho- não deve se meter nessas coisas, e muito menos assassinar pessoas por isso. Criminalizar o adultério não é de religião, é de monstro. É o Mal, Arendt-style, novamente de volta à face da terra. É muito difícil, neste post, não mencionar a hipótese de Huffman. Mas é mais ou menos por aí.

Política de posts sobre política

Não gosto muito de escrever sobre política, a grande maioria das discussões me dá sono, e quando chegamos ao Oriente Médio, mais ainda. Porém, até eu tenho limites. Defendo morte dolorosa a qualquer pessoa capaz de alegar QUAISQUER defesa ao apedrejamento de adúlteras.

Admiro bastante o trabalho do pessoal da Avaaz (que já mobilizou bastante gente no Ficha Limpa) e tenta mobilizar para outras causas importantes. Parabéns.


Recomendação de leitura: sejam grandes

Posted: July 13th, 2010 | Author: tarrask | Filed under: crônica | Tags: , , , , , | 1 Comment »

Acabei de receber de duas amigas link para o post Sejam Grandes, do Alex Castro.

Obrigado pelo conselho, queridas, mas eu já li.

Liberal Libertário Libertino - Crônicas

Liberal Libertário Libertino - Crônicas

Tenho o livro. Impresso (e gasto, cruzou o Atlântico já umas duas vezes), lido e relido. Recomendo muitíssimo. Só acho uma pena o Alex Castro não fazer algo tipo publicar no lulu.com ou algum site assim. Valeria muito a pena.


nvts – uma coisa estranha que estou escrevendo

Posted: July 5th, 2010 | Author: tarrask | Filed under: vida de artista | Tags: , , | 5 Comments »

Estou subindo agora à rede um projeto experimental e estranho. É para finalizar um curso de e-literatura que eu fiz nos últimos três meses, e se trata de uma narrativa dividida entre várias páginas. O final ainda está aberto, assim como a participação, as linhas de narração e até a ambientação da coisa.

Vai ser mais ou menos como narrar um jogo de RPG, sem jogadores.

Eu, escrevendo

Eu, escrevendo

A única certeza que eu tenho é que quinta-feira vai haver muita coisa escrita lá, mesmo que seja sem pé nem cabeça. Sejam bem-vindos para visitar, comentar, intervenir e até falar mal.


o chato de ficar velho é

Posted: July 4th, 2010 | Author: tarrask | Filed under: microconto | Tags: , , | 2 Comments »

post dedicado a uma querida anônima

O coração começa a arder, aperta, o pulmão fica cheio de lágrima e a gente sufoca um pouco. O cérebro fica meio tonto. Aí uma voz lá dentro diz: “epa, já vi esse filme. Em três semanas passa.”.

E tudo passa mais rápido do que antes.
Conhecemos alguém em algum lugar. Parece a pessoa mais interessante do mundo. A vida não tem graça longe dela. É tudo que você sempre sonhou, tintim por tintim. Aí a voz fala: “ó, já disse que ninguém é perfeito”.
E não dá três semanas para alguém mostrar que a regra é verdade.
Você começa a beber, tá gostoso, fica solto, sorridente, alegre. Aí a voz lá dentro, de novo: “cuidado, que amanhã isso vai dar ressaca daquelas monstras”. E você pega a garrafa d´água do lado da cama e bebe um litro antes de dormir.
E mesmo assim tem ressaca.
O chato de ficar velho é ter experiência, já ter visto o filme, saber o que vai acontecer, e nem poder curtir a fossa, a paixão, a ressaca.

4 dias de absolutamente nada

Posted: July 3rd, 2010 | Author: tarrask | Filed under: crônica | Tags: , , | No Comments »

Tirinha do mestre Angeli

Depois de uns meses carregados, nada melhor que um tempo sem fazer nada. Dormir, comer, ver futebol e dormir de novo. Uma leva de posts deste blog vieram disso.

Antes do verão, do esforço e da esbórnia, é melhor recuperar energias, né?


Hatebook

Posted: July 2nd, 2010 | Author: tarrask | Filed under: microconto | Tags: , , | 6 Comments »

Engraçado, deve ser de lua.

A imensa quantidade de gente que, nos últimos tempos, está parando de falar comigo, principalmente online.

Ou eu estou fazendo algo extremamente certo, ou extremamente errado.

Queria saber o que é, para não parar.


Judiaria

Posted: July 1st, 2010 | Author: tarrask | Filed under: crônica | Tags: , , , , | 3 Comments »

Há duas coisas detestáveis.

Ex que aparece quando você tá melhorando, só pra abrir a cicatriz, fazer sangrar de novo, machucar. A volta dos mortos vivos nunca faz bem. Nunca ouvi falar num caso satisfatório. Não conheço ninguém decente que goste de morto-vivo.

Castigo pra zumbi é porrada.

Mas há algo pior.

Gente que sofre horrores por amor, passa mal, odeia, faz macumba e, quando o outro volta lépido e fagueiro, sorrindo como quem vai comprar cigarro e volta, abre os braços, perdoa e tenta começar de novo.

Começar de novo, não. Nunca. Por favor, de jeito nenhum.

Castigo pra amante de zumbi é sofrer tudo de novo, dobrado.

A música é de Lupicínio Rodrigues, versão de Arnaldo Antunes e Edgard Scandurra.