Arquivo da categoria ‘crônica’
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Sexo e as cidades: João Pessoa

João Pessoa é uma mulher provinciana. Perfeita pra casar, ter uma ruma de menino, reproduzir, ficar velho, preparar o churrasco, trazer a cerveja, sentar na varanda e conversar sobre a vida alheia.

Nem pense que é exagero meu. Ela é um paraíso de tranquilidade no meio do século XXI. Beija pra namorar. Namora pra casar. Casa para constituir família. Constitui família para agradar a sociedade. E como a sociedade influi muito na vida de todo mundo, vamos conversar sobre a vida dos outros.

O primeiro amanhecer de 2008 em João Pessoa

Paraíba masculina

É nordestina na moda. Escuta o que há de mais moderno, veste o mais fashion, lê os livros mais revolucionários de uma Europa imaginária e uns Estados Unidos de cinema. Entende tanto de cinema que até já viu um filme do Goddard. Na coluna social de algum jornalista com nome no diminutivo, é estrela da noite. Atinge o ápice da vida na festa de debutantes ou na do casamento. O resto é consequência.

Sexo papai-e-mamãe. Católico e para fins de reprodução. Em segredo, diz que gosta, mas fingirá que é virgem até pouco antes do parto do terceiro filho. Mas, considerando que ela é bonita, jovem e tem que fazer tudo que as amigas fazem, a festa nunca acaba. É sempre de lascar.

A carranca

A carranca da véia

Tem uma auto-estima completamente surreal: se diz a mulher mais bonita do mundo, mas precisa da opinião das amigas para tudo.. Aliás, nem vale a pena escutar o que ela diz dela mesma. São duas coisas completamente díspares. Não é feia, mas se acha a melhor e mais importante e mais bonita e onde o sol nasce primeiro, de todas as mulheres do mundo. Se quiser ficar tranquilo, diga que ela é mais bonita que o por-do-Sol de Jacaré. Vai se sentir a mais bonita do mundo.

Com segurança, tranquilidade e uma brisa a beira mar, você tem a mulher João Pessoa contente. (Soou feia esta frase. Aliás, ela tem nome de homem, tem nome feio, e eu não vou ser politicamente correto de negar. Quem quiser que mude.)

João Pessoa precisa ter o coração partido. Precisa de uns problemas mais sérios na vida que decidir qual dos dois bonitinhos do pátio do colégio é mais interessante. Aí, quando ela crescer mais um pouco e tiver mais marcas da vida, pode ser uma mulher de verdade.

Originally posted 2010-04-29 22:01:53. Republished by Blog Post Promoter

Aconteceu ontem, juro a vocês

Estava tocando Tim Maia cantando Gostava tanto de você. Lembro de reconhecer os acordes da música. Estou no jardim da casa onde moro, esperando alguém tomar banho, enquanto tento encaixar duas peças de metal com um parafuso torto. Este parafuso é único, e sem ele, meu X-Wing nunca mais vai voar.

Chega alguém que não lembro quem é, a Princesa Léia de biquini e um senhor. Me apresentam dizendo que ele é português, logo aparentado com a raça ancestral dos Jedi-mecânicos, e pode tentar fazer a cerimônia e desentortar o parafuso.

Nessa hora, tocou o telefone, eu acordei e pedi aos céus que demitam o roteirista dos meus sonhos mais recentes. Ele tá brincando comigo.

Originally posted 2010-11-19 11:46:48. Republished by Blog Post Promoter

De volta pra casa

Primeira vez que eu volto pra Europa, sempre voltei pro Brasil. E o pior é que tenho pouquíssima vontade de voltar. É algo orgânico, interno.

Lembro de todo mundo que conheço e que diz que eu deveria estar feliz. São todos loucos pra conhecer a Europa, viver lá um pouco. Nenhum tem coragem de ir viver pra sempre. Todos tem a coragem de me criticar, mas não pensam que eu estou vivendo há anos, e tenho saudades de milhões de coisas que eles têm e não valorizam.

(escrito no avião México-Paris)

Originally posted 2010-09-03 17:33:47. Republished by Blog Post Promoter

As dívidas nunca param de crescer

2 ou 3 livros.
40 blogs.
Uma série.
Oitocentos contos.
Poemas mil.
E umas quantas canções com versos de pé quebrado.

Mas nem se eu parasse de dormir, eu teria tempo de terminá-los.

E eu não consigo ficar sem dormir.

Acordar é difícil

O guest post de hoje é de uma garota de codinome Lilja

E a gente fica querendo que acabe logo essa baboseira toda, que tenha sido só um pesadelo. A gente espera cartas que sabe lá no fundo que não vão chegar, fica querendo que o tempo passe logo pra matar a dor. A gente sabe que não vai acontecer nada do que a gente quer, mas a gente espera. A gente espera que ele esteja lá embaixo do predio com um sorriso de pedido de desculpas, uma mão no bolso e a outra segurando um buquet de rosas reconhecendo que eu só queria que ele fosse quem ele não é e por isso me decepcionou. A gente espera que o telefone toque quando ele pode ser que nem tenha mais o número. A gente espere que ele sinta essa saudade que aperta o peito quando ele pode estar sentindo raiva. A gente espera que os dias passem e talvez ele possa mandar uma mensagem inesperada enquanto ele pode já estar com outra pessoa. A gente procura o carro dele quando sai do trabalho pra ver se ele resolveu esquecer essa besteira toda e engolir o orgulho, mesmo que não precisasse falar nada, além de abraços e suspiros que demonstrassem o quão ruim foram esses dias separados. Sufocantes. Mas é um pensamento que tem uma curta duração porque quando a lógica da situação se torna menos ébria, ela nos relembra que a gente sabe que ele não era a pessoa certa, que muita coisa estava fora do lugar e nós talvez não déssemos certo nem agora e nem nunca, uma relação desajustada, e a gente quer sentir raiva porque fica achando que a pessoa não se importou em cuidar e tentar salvar o que estava morrendo afogado em lágrimas, mas a pessoa estava lá assistindo o barco afundar, e as vezes até torcendo por isso. Sempre a última a saber. Era o conforto de estar junto, de estar perto, de tentar apesar das diferenças, mas um relacionamento é uma árvore muito pesada para ser carregada só por um. E tem fim que é triste quando a gente não sente que foi importante nesse mundo com tanta gente cheia de vaidades, inclusive eu. Mas eu tento, estou tentando, e sempre estive…

Acordar é difícil, por mais que ninguém nunca mais consiga me atingir da forma letal que me atingiram no anteriormente e eu morri mil vezes por alguém… mas ainda dói, dói de uma forma nova e diferente porque a gente sabe que cabem muitas dores numa vida… dói de novo e é chato doer sempre e ter que voltar a doer. É uma merda.

Acordar é difícil…

Originally posted 2011-04-04 18:00:00. Republished by Blog Post Promoter

Correspondência reunida

Acho que, durante fases muito boas da minha vida, eu troquei muitos emails. Fazendo um infográfico/calendário, os períodos nos quais eu troquei emails longos (ou conversas longas por telefone, mas isso foi numa época anterior à minha atual fobia ao aparelho) foram os mais interessantes/divertidos/importantes.

Nem sempre o conteúdo do texto tinha alguma coisa a ver com o que acontecia com a minha vida, mas é uma coincidência bacana.

Rever cartas antigas não é um hábito que eu tenho, nem tive. Acho que é coisa que guardo para quando me sentir ainda mais velho. Ou para algum biógrafo. Sou dos que gostam de ler cartas entre amigos, diálogos (há uma série de cartas entre Vinicius e Tom que são de dar inveja).

Atualmente, escrevo muitos emails por dia, todos muito sintéticos, curtos. Não têm menos sentimento ou conteúdo, mas são menores. Não acho que seja uma vantagem.

Blogar talvez seja uma maneira de escrever uma carta para quem quiser ler.

Originally posted 2010-10-25 18:44:20. Republished by Blog Post Promoter

Província e capital (outro email)

Now Ophelia, she’s ‘neath the window 

For her I feel so afraid

On her twenty-second birthday

She already is an old maid

To her, death is quite romantic

She wears an iron vest

Her profession’s her religion

Her sin is her lifelessness

And though her eyes are fixed upon

Noah’s great rainbow

She spends her time peeking

Into Desolation Row.

Bob Dylan, Desolation Row

Querida,

 

Fico feliz em saber que você dorme tranquila. E fica mais bonita. E se sente sexy.

 

Eu adoro Roberto Carlos. Questões familiares, boas lembranças, e também letras que às vezes são tudo nessa vida. No meu livro, um dos contos que mais gosto, e que fala de um dos temas mais importantes que eu escrevo tem uma música dele. Leila, o segundo, que fala de arrependimento, e de voltar atrás. E de amar uma lembrança.

 

Se quiser ler, tá aqui.

 

Eu escrevi aquele livro pra me entender. Não foi pra comer ninguém (é só benefício secundário), mas pra entender o que passava pela minha cabeça, ocupá-la e transformar um sofrimento em algo plausível e ordenado. Dar ordem à dor.

 

Somos as cicatrizes que temos

Você poderia gostar do processo. É o problema de nós, inocentes, destroçados nessa guerra que é o amor. Além disso, te daria mais informação sobre o coração mais importante do mundo, o seu.

 

As cicatrizes falam, e elas são o que nós somos.

 

Eu não entendo aqueles casais que escondem as vidas passadas. Nunca escondi as mulheres que amei das mulheres que estou amando, e não tenho problemas em saber que a minha namorada já amou antes. Nós somos as nossas cicatrizes. Alguém me mostrou uma frase parecida com isso, que sem as cicatrizes, não seríamos os mesmos, e é uma verdade absoluta.

 

Como acho que você sabe, eu não sei exatamente o que você fez com ex-1, e vice-versa. Posso dizer que às vezes oscilo entre “nunca mais vou falar com ela, nem fudendo” e “acho que se ela passasse na minha frente, eu diria oi e pronto”, com uma menina que me fez mal. Do mesmo jeito, às vezes penso “melhor não falar com ela, botar um block e nunca mais ver aquele rosto” e depois penso melhor e digo “ná, é só uma fase, daqui a 6 meses eu vou conseguir conversar carinhosamente”. De todas as formas, foi alguém que mudou a sua vida, isso é o que importa.

 

Você vai ver, futuramente, que muita gente vai mudar a sua vida. Amigos, irmãos, namorados, desconhecidos. Mas você responde que ele foi o primeiro, blá blá whiskas sachê. Eu sei. O primeiro cara a te comer vai te mudar. O primeiro a partir seu coração em oito mil pedaços também. O primeiro a colar o seu coração também. O primeiro a se apossar de verdade do seu coração também. O primeiro a dizer que prefere que você goste mais do filho dele do que dele também. E assim sucessivamente.

 

Bem-vinda ao mundo dos que têm cicatrizes. Nós te recebemos de braços abertos.

 

A merda de viver é que a gente não vive romances para a vida toda o tempo todo. Normalmente, são romances por algum tempo, quase o tempo todo, e raramente um romance pra vida toda.

 

Presa na adolescência

Eu não chamei você de provinciana. Eu disse que pensar como adolescente na idade adulta é provinciano. O sexo é um mistério na adolescência. Na idade adulta é um fato. Há uma entrega, há uma intimidade, há uma relação quando duas pessoas fazem sexo. E eu acho que há essa relação, essa intimidade, essa entrega também quando beijamos. Se beijar fosse uma coisa e sexo outra, beijo não seria chifre, seria um tipo menor de traição. E normalmente não é. Na adolescência, até podia ser.

 

Não entendo você conseguir beijar alguém que não conseguiria fazer sexo. Digo beijar, ficar horas conversando, beijando e trocando carícias. Pra mim, é tudo a mesma coisa. Acho que virei europeu.

 

Domando você

Você tem medo dele, acha ele imprevisível, e isso é um passo para conquistar uma mulher. Na hora que a mulher começa a prever as ações do homem, conte no relógio, faltam 30 minutos pro chifre.

 

Porém, não quer arriscar nada. Não quer se machucar. Entendo. Mas você vai se machucar. E vai ser feliz também. É a vida, amor. Assim de cruel e bonita.

 

Toda mulher, principalmente as surtadas, precisam de um homem que as saiba controlar. Não no sentido de mandar, mas que as pegue no colo, às vezes com carinho, às vezes com força, e a acalme. É algo animal, instintivo, mas se um homem não aprende a domar a mulher, não merece cavalgá-la. E a relação nunca irá pra frente se isso não acontecer.

 

O problema não é dele. É seu. A ansiedade não é dele. Você precisa entender e controlá-la. Entender. Por que você necessita alguém? Os nossos vícios por pessoas são bons, mas não podem nos dominar. Só funcionam quando são positivos, quando nos fazem crescer.

 

Pureza e castidade

Sexo é um mito? Sim. Na sua cabeça. E é difícil lutar com isso, ainda mais tendo deus, família e propriedade em cima. É fantasia? Você só quer o pau do homem da sua vida te penetrando? Tudo bem. Mas aguente as consequências.

 

Quais são elas? A primeira é que, no mundo real, o pau do homem da sua vida é uma incógnita. Ninguém sabe onde ele está agora. E pode ser que ninguém nunca descubra. A maior probabilidade do mundo é que você nunca encontre uma alma gêmea perfeita, o príncipe encantado, e viva feliz para sempre.

 

A vida é feita por seres humanos imperfeitos, cheios de defeitos e de qualidades, diferenças e idiossincrasias. Alguns deles você vai amar, e vão lhe amar e beijar e comer. Parece duro, parece cru o que eu estou dizendo, mas é a verdade deste mundo. Nós não vivemos no mundo dos contos de fadas. A Cinderela não é virgem, Branca de Neve curte sexo anal e a Bela Adormecida é lésbica.

 

Eu nunca disse a você pra dar pra todo mundo, sair fodendo a torto e a direito. Nunca diria. Só peço que tente entender que o conceito de pureza-virgindade-omo-lava-mais-branco-moça-pra-casar não existe. Morreu há 10 anos, mais ou menos, e por isso, ainda muita gente acredita. Mas não é verdade. É possível foder e ser feliz. Aliás, o sexo é obrigatório na felicidade.

 

Sabe qual é a grande sacanagem das religiões monoteístas, pra mim? É que elas dissociaram Deus da criação. Todas as religiões politeístas, anímicas, espíritas, o que for, acreditam que Deus está na natureza, nos animais, nas pessoas, em mim e em você. Para os cristãos, judeus, muçulmanos, Deus é um Príncipe Encantado, perfeito e externo, que está fora do universo, sem fazer nada, só esperando pra te castigar por algum erro.

 

É uma cagada monumental.Você é natureza, você é parte de deus. Eu, meu telefone, a internet e até os argentinos. É só você prestar atenção que vai ver a beleza que há em toda e qualquer pessoa.

 

Acho que você vai ser muito mais feliz quando parar de procurar um Príncipe ou um Deus Encantado, e começar a apreciar a beleza da sua vida agora, do jeito que está.

Originally posted 2012-02-21 18:11:55. Republished by Blog Post Promoter

Praga dançante de 1518

Estrasburgo é uma cidade estranha. Foi alemã, hoje é francesa, motivo de duas guerras mundiais e da maior guerra do século XIXI.

Mas isto não é um blog de história.

É de coisas espetaculares que encontramos na vida e que, de repente, parecem poesia.

Como a epidemia de dança que atingiu a cidade, no ano de 1518. Depois que uma senhora chamada Troffea começou a dançar compulsivamente, foi seguida por até 400 pessoas, que terminaram morrendo de ataque cardíaco, exaustão e bolhas nos pés.

Sim, galere começou a dançar até morrer, Olinda feelings.

Algumas das explicações envolvem histeria coletiva, duas doenças com nomes de santo (“Fogo de Santo Antônio” e “Dança de São Vito”, dois nomes maravilhosos para histórias que não vou escrever).

Sério, um artigo da wikipédia é mais inspirador que muito livro que eu já vi por aí.

Originally posted 2010-10-04 16:15:16. Republished by Blog Post Promoter

NaNoWriMo 2011, lá vamos nóis travéis

É. Gosto de psicopatias. Começando hoje, porque ontem eu estava chegando de viagem e não aguentava escrever. Igual ao ano passado, mas sem Luiza Lucky e Amsterdam, mas com Nova Iorque e Cacabarét, o que dá pra dizer que é mais ou menos a mesma coisa, pelo menos em qualidade de pessoa.

A história vai ser a mesma. O plano não é só escrever 50 mil palavras.

É escrever 50 mil novas palavras, que façam as 50.001 escritas no ano passado fazerem sentido.

Em dezembro, estarei de volta, com 100k palavras sobre um só assunto. Rezo para ter tempo.

Originally posted 2011-11-04 00:47:58. Republished by Blog Post Promoter

Olá, secretária

Secretária, chefa, qualquer posição na empresa, tá valendo.

Coleção antiga, filme velho

Há muito e muito tempo, vi um filme com essa doida do nome impossível (maggie gyllenhaal), desses com taras estranhas, gente perturbada e tal.

E fiquei devendo um post, um texto, alguma coisa que servisse de registro, porque, afinal, é coisa importante demais na história da humanidade pra passar em branco.

Meninas, cuidado com o primeiro emprego.

Originally posted 2010-10-28 18:58:34. Republished by Blog Post Promoter

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