Soneto I

Escrevo ainda com o coração quente,
Com frio nas mãos e pouco ar,
Jorrando palavras de uma mente
Que tem a felicidade de chorar.

A tua ausência, que dor inspira,
Também é força para quem escreve
Um coração sangrando da dor tira
Larga beleza e pena breve.

Mas de que valem palavras vazias,
Encher o mundo de música, letra e dança,
Se nunca vou roubar-te o ar?

Quisera poder oferecer-te as alegrias,
Que só tenho ao ver-te respirar,
Tornar-te-ias, dama feroz, em fera mansa.

Originally posted 2009-12-15 18:41:27. Republished by Blog Post Promoter

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