Tá faltando o quê?

Cansei da publicidade. E você?

Recentemente, uma amiga que trabalha numa das melhores butiques criativas internacionais disse que estava cansada do dia-a-dia da publicidade.

No mesmo dia, um amigo rico, famoso e cheio de ruivas gostosas apaixonadas por ele disse que estava de saco cheio da premiadíssima agência de marketing direto e promocional na qual ele tem uma trajetória repleta de sucessos.

Pouco tempo antes, uma amiga que trabalha numa das mais importantes agências da história da propaganda disse que não tem vida, e que o auge da semana dela é lavar pratos.

Não sou eu, é você

Será que estamos todos destinados a viver como o Depressed Copywriter?

Tá faltando o quê?

Tá faltando o quê? (imagem do Depressed Copywriter)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A propaganda não é tudo, e nem tudo é a propaganda

Antes que um medalhão que começou a carreira nos anos 80 venha dizer que é só fazer mais esforço, tentar mais, ter mais paixão e tesão por anúncio, etc etc, que a gente chega lá, eu queria tentar sugerir uma reflexão: antigamente, era tão comum assim as pessoas que trabalhavam em publicidade detestarem o fazer, mas gostarem do resultado?

Era tão sofrido?

Conheço muita gente com planos de fuga. Muitas mesmo. Outras que não os têm, mas queriam tê-los. Outros que encontram a felicidade fazendo trabalhos criativos que não têm nada a ver com propaganda. E o dia-a-dia é cada vez mais parecido ao trabalho de um bancário, funcionário público, suplente de vereador. Gravata e protocolo.

Não estou desistindo, mas seria burro e antipublicitário ver um problema e não tentar resolver

Desistir nem sempre é o meu forte. Mas eu até faço isso às vezes. Outras tenho vontade. Outras, simplesmente mudo o foco do problema e ele deixa de existir. O meu questionamento é muito mais pro mercado em geral. Porque acho que é uma doença. É contagioso. Quanto mais gente desanimando ao redor, mais fácil que os projetos fracassem, as ideias morram, os leões murchem.

Nós precisamos lutar contra a mediocridade, contra o desânimo. Não deixá-los debaixo do tapete, onde eles podem aparecer outras vezes.

Não?

O que acham?

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12 Comentários

  1. Eu desisti. Mas continuo fazendo o que gosto: escrever.

    Existe vida após publicidade.

  2. Finalmente alguém falando. RT @tarrask Cansei da publicidade. E você? http://t.co/SRkcRq00 #wkt

  3. RT @edipo: Finalmente alguém falando. RT @tarrask Cansei da publicidade. E você? http://t.co/SRkcRq00 #wkt

  4. Eu nunca quis. Trabalhei com isso por dez meses e quis sair correndo. Hoje sou uma feliz infografista num jornal do sul do país. Mas eu sou designer (a.k.a. peão de publicitário), então não conta, né.

    • Nao vejo mta diferenca entre todos os profissionais de empresas de comunicacao corporativa privada.

      O problema eh o sofrimento q estou vendo, inerente ao trabalho diario.

  5. Opa, me põe na lista aí o/

  6. Estou lendo The Mythical Man-Month. É um livro sobre desenvolvimento que foi escrito há 25 anos e, dizem, continua atual. No primeiro capítulo ele fala sobre as alegrias e dos sofrimentos de programar. Aí vai um trechinho:

    “With any creative activity come dreary hours of tedious, painstaking labor and programming is no exception.”

  7. Perdi o bonde. Qual o problema, exatamente, que você vê?

    • Demasiada gente infeliz, ao mesmo tempo. Em varias posicoes. O q tah na grande queria estar na pequena que queria morrer, ou comecar de novo, ou estar longe daqui.

      Por que tanta insatisfacao, tanta lagrima, pra terminar o servico?

  8. Talvez:

    “If you watched a movie about a guy who wanted a Volvo and worked for years to get it, you wouldn’t cry at the end when he drove off the lot, testing the windshield wipers. You wouldn’t tell your friends you saw a beautiful movie or go home and put a record on and think about the story you’d seen. The truth is, you wouldn’t remember that movie a week later, except you’d feel robbed and want your money back. Nobody cries at the end of a movie about a guy who wants a Volvo.”

    - A Million Miles In A Thousand Years, Donald Miller, 2009

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