De vez em quando a gente precisa formatar discos, reinstalar sistemas operacionais. Começar de novo.
Qualquer coisa vírus, email de pessoa que não aparecia há anos, proposta de trabalho, água na CPU pode causar aquela barafunda que termina com a pessoa, à noite, mal-iluminada por uma lâmpada que provavelmente está apontada para o lado errado, cercada de fios, caixas e cabos. E depois de muita dor de cabeça, a luz do botão acende e o ventilador começa a girar, sinal de que o sistema tem energia novamente e está procurando as instruções para voltar a funcionar.
E eu, incorrigível, vejo um hd ligado ao usb do computador, onde o sistema reserva está instalado, e imediatamente lembro de uma crônica de Rubem Braga. Uma das dez coisas mais bonitas que ele já escreveu, a mesma coisa que uma das dez coisas mais bonitas da língua portuguesa. Diabos, uma das dez coisas mais bonitas e pronto.
Nasceu, na doce Budapeste, um menino com o coração fora do peito. Porém – diz um Dr. Mereje – não foi o primeiro. Em São Paulo, há sete anos, nasceu também uma criança assim. “Tinha o coração fora do peito, como se fora um coração postiço.”
” Rubem Braga, Como se fora um coração postiço
E uma das crônicas mais bonitas do fazendeiro dos céus vem à minha memória. Acho que li pela primeira vez há mais de vinte anos. E vou reler novamente.
E não vou chorar como uma criança, porque quando eu era criança eu não me emocionava com esse tipo de coisa.