Declare-se a guerra

Posted by tarrask on October 30, 2012 · 2 mins read

Talvez tivéssemos chegado à hora em que todas as guerras fossem declaradas.

Sim, acordei sanguinário.

Mas é preciso. É preciso derramar sangue para que o mundo volte a florescer, sempre. Ciclo da vida. A pena, o medo, a covardia e algum interesse escuso são sempre o que faz com que os combates deixem de ser vencidos, pior, deixem de ser lutados, e nós vivamos sempre em impasses, em prisões, na iminência de.

Tenho medo de iminência.

A Guerra Fria matou mais que a Segunda Guerra. Milhões de pessoas morreram de fome, porque o dinheiro foi usado para comprar armas, construir satélites, espionar russos, gerar diplomatas e economistas. Gerações viveram no pânico da iminente destruição, do caos apocalíptico. The day after.

Quando eu era bem novo, gostava de uma menina na escola. Linda, inteligente, simpática, tinha todas aquelas qualidades de paixõezinhas de escola. E ela conseguiu destruir meu coração em um jogo de xadrez. Dona de uma paciência impossível, ou de uma indecisão impressionante, ela passava vários e intermináveis minutos para mover qualquer pedra, dar qualquer lance, na aula de xadrez. Nunca houve flerte, conversa, nem nada do tipo. Ela conseguiu quebrar tudo numa coisa tão banal quanto um jogo, obrigatório, tarefa escolar. No jogo, ela não tinha coragem de decidir um plano de ataque, avançar, arriscar algo para me destruir, e também nunca abria as defesas. Ficava só na preparação, se armando, como um peixe beta solitário num copo de nescafé. Nunca iria sair disso.

Eu sabia que a aula tinha 45 minutos, e que o jogo nunca seria continuado. Ao ver sua imobilidade, me frustrei. Usando meu pensamento enxadrístico mais além do tabuleiro, cheguei à conclusão que ela queria um empate antes do embate. 0x0. Porra nenhuma.

Talvez o mundo fosse muito melhor se as guerras fossem logo travadas, as vidas perdidas e as vitórias ganhas, e nós deixássemos de perder o tempo com besteiras, com esperas e preparações.

Talvez eu devesse ler mais Sun Tzu, ou mais Seth Godin. Ou deixar de ler, carregar a pistola e lutar. Porque morrer, todos vamos.