Para continuar a sequência do Pior Guest Post da Historia, um texto em um só parágrafo de Luize Lacerda, perdida em algum quilômetro desconhecido.
Eu te tornei capaz de me ferir. Há algum tempo, não sei precisar quanto, substituí o clichê do “Eu te amo” por isso. Por essa frase. Ás vezes, não a digo explicitamente. Muitas vezes, você só saberá que me deixou triste, que me deixou pensativa e chorona. É preciso muito amor-próprio para não ligar para muitas besteiras. E eu não posso reclamar, tenho de sobra. Mas acontece que algumas vezes. Ok, muitas vezes, meu amor enjoa de mim mesma. O resultado? Fico sem amor. Sem ser amada. E pior ainda, sem amar. E não há coisa mais triste é não amar. Quer dizer, não sentir. Se não amo, mas sinto, nem que seja a mínima expressão de vida. Aquelas fases que você que você não consegue sorrir, chorar, e tudo isso, porque você não consegue sentir. Aí, você acorda decidida a tentar denovo. A procurar alguém a não ser você mesma para te machucar. Uma tentativa de um sado-masoquismo diferente, que você não saiba de onde as chicotadas venham. E você faz isso uma, duas, três vezes. E te machucam. E machucam mesmo. E você pensa que na quarta vez nada de novo irá acontecer. Você está preparada. Mas te surpreendem. Na quinta, o pensamento volta mais forte, mas as pessoas más são criativas e você não sabe se esquivar. Quando você perde as contas, perde a vontade de brincar. E quando se olha no espelho, não consegue mais se amar. Até que um dia, te prometeram tranquilidade. Mais que isso: estabilidade. E você não conseguia acreditar. Melhor dizendo, você não sabia o que aquelas letras juntas significavam. E disseram para você ter calma que iriam te explicar. Mas você simplesmente, não por maldade, não conseguia acreditar… E com uma paciência quase indescritível, pediram para você dar a mão. Iam te guiar. Pela primeira vez em sua vida, alguém ia me dizer por onde ir e você pode fechar os olhos e seguir. Mas e agora? Você deve dizer que podem te machucar? E se levarem a sério… e me machucarem? Pensando assim, um “eu te amo” é mais seguro.