Estar conectado ubiquamente às vezes é um perigo. Como quando você recebe um email longo, vê o destinatário, e fica naquela ansiedade para ler, reler e esmiuçar as entrelinhas. Às vezes nem pode no momento, mas fica guardando aquele gostinho para ler depois.
Também vale para posts de seu blog secreto favorito, tweets que dão para links daquele amigo que só posta coisas fantásticas.
Aí chega uma hora que você vicia, e fica esperando o chute de adrenalina que é o equivalente moderno a abrir uma carta, nos tempos imemoriais e imortais de Felinto, Fenelon e Pedro Salgado.
Todo sinal de movimentação eletrônica que venha daquela origem passa a acender o alerta, como a suspeita de vida inteligente em outro planeta faz com o pessoal da Nasa.
Aí o tempo vai passando, as estrelas começam a se mexer de novo, e nós começamos a nos acostumar, abusar e esquecer. E então deixamos de sentir o chute de adrenalina. Precisamos de outra droga, ou de droga nenhuma.
Os sinais estranhos continuam chegando, raros, fracos, diluídos. Não causam comoção nenhuma. Os feeds viram ruído.
Buraco negro.