Eu passo o dia lendo e escrevendo.
Se não estou juntando palavras em um texto meu, estou juntando textos alheios em mil bancos de dados, em milhões de neurônios, em infinitos planos de ideias, e talvez use pra alguma coisa.
Ou simplesmente deixe lá guardado, como uma biblioteca infinita de Borges, à espera que algum leitor encontre aquela fagulha de informação e a repasse, como eu repassei.
Nós, humanos, somos apenas receptáculos de carne onde as ideias se reproduzem e se transmitem, como parasitas, embriões, espécies trepadeiras. E elas às vezes mutam, evoluem, ou simplesmente vão adiante, parecida às originais.
Então, se a história que você está me contando é sua, e boa, eu vou ouvir. Se é só boa, ouvirei também.
Se é só sua, mas não é boa, é preciso refazê-la, ou ela será sufocada no darwinismo ideático que tenho no cérebro.