Atirei no mar, o mar vazou
Atirei na moreninha, baleei o meu amor
Continuando com o processo de emotional coaching que comecei há pouco com uma amiga que não pode ser citada, lembrei de uma coisa muito importante na vida humana: aprender a esquecer. Talento importante, e que deveria ser currículo do primeiro período da faculdade. Obrigatório pra todo mundo.
Gostar de outrem, além de um erro enorme, é um vício. Logo, só há duas curas: reabilitação ou overdose. As duas funcionam, cada uma com seus problemas.
**Reabilitação “ a cura através da ausência
** A reabilitação é mais comum. Esquecemos, apagamos, bloqueamos. Unfollow. Um dia, no futuro, para de doer. O problema é que normalmente dói muito, durante o processo. Considerando que o ser humano é o único na natureza com tendências masoquistas, também não estranha que seja o mais popular também.
Vá pra festa, vá pra putaria, arrume outra pessoa. Arrume várias pessoas. Desligue o telefone, compre outro número, mude de email, corte de cabelo e de personalidade. Esqueça, toque fogo em tudo que traga lembranças de volta.
Álcool dá amnésia. Recomendadíssimo. Trilha sonora: blues. De preferência, roots.
**Overdose “ tudo demais mata (até amor)
** Overdose é raro, arriscado e recomendável somente para quem tem coração forte. Tipo, para quem já passou por uma ou duas reabilitações. Você aumenta a dose. Muito. Começa a ler tudo sobre a pessoa, a pensar nela o tempo todo. A rever fotos. A ver as cartas. Fuçar o Facebook. Chega uma hora que você vai conhecer todos os detalhes da pessoa. Como de perto ninguém é normal, e todo ser humano é asqueroso e cheio de problemas, taras e manias, uma hora você cria abuso. E termina matando.
Leia tudo, releia, vá de novo. Relembre das coisas ruins, poxa. Claro que há muitas. Só não há quando você se relaciona com máquinas. Mentira. Até estas travam, quebram e dão problemas. Fale com a sua mãe (que acha defeito em tudo), pergunte aos seus amigos (principalmente se você namorava uma gostosa vadia), pergunte ao Google.
Você não esquece da peste. Mas também não se preocupa mais com ela. Será como a Polônia, a conta de luz, a quarta-série: está aí, em algum lugar, de vez em quando aparece alguma coisa ou alguém relacionado, mas não deve ser nada importante na sua vida, além de alguns traumas e risadas de desprezo.
A melhor companhia é um caderno, para você anotar ao detalhe todo sofrimento que sofreu, e canalizar todo o ódio gerado na criatura causadora. A culpa, pra quem merece.