Ser do contra é nunca imaginar que a opinião pública estará do seu lado. Ser do contra é valorizar mais os sims escutados, e menos os nãos. Ser do contra é não ter uma resposta automática. É ter mais dúvidas do que certezas, e estas certezas serem, muitas vezes, guardadas para si. É pensar duas vezes antes de dizer veja “bem”. É não ter opinião formada sobre a pauta do dia.
É não querer escutar a opinião alheia, pra não ter que argumentar e ser ignorado. Ser do contra é preferir ver a história se repetir mais uma vez a tentar explicar o quê está errado. É ter pena dos advogados do diabo. Dos advogados de defesa de clientes inocentes. É estar a favor do melhor time. É torcer pelo mérito, mas não pela justiça.
É não ter fé no país, mas acreditar na humanidade. Ser do contra é esperar mais do governo e querer mais da oposição. Não acreditar em relacionamentos, mas confiar no amor. É não ter pena, mas ter compaixão. É dormir de dia, para ficar em casa à noite. É ser velho na juventude, e jovem depois de adulto. É adorar criancices e detestar crianças. É preferir os adúlteros aos adultos.
É gostar do disco que ninguém gosta dos Engenheiros do Hawaii. É preferir o filme ao livro. É gostar dos clássicos. Ser do contra é não conhecer a lista dos mais vendidos, ignorar o rádio e a música hipster ao mesmo tempo. É gostar de assistir futebol sozinho. É não ter a quem perguntar uma dúvida. Ser do contra é torcer para que o interlocutor se cale para não ter que perder tempo explicando. É estar cansado de elaborar um ponto de vista.
Ser do contra é discordar de você. E também de mim mesmo, quase sempre.