Tenho, para os meus cadernos cheios de rascunhos, os cuidados que uma moça direita tem com a calcinha.
Ali guardo coisas que não são pro seu bico. Bobagem minha, porque não sou capaz de sentir nada que os outros também não sintam, bom ou mau. Do amor irremediável à dor de corno, da melancolia ao êxtase, posso sentir menos, mas nunca mais do que qualquer outro. Bobagem tua, porque o homem, quando seduz, quer gostar do que vê.
A filosofia de bar, porém, diz que uma hora, a calcinha sempre cai. As máscaras dos escritores também. Aí tudo se revela, porque se fossem segredos, não estariam escritos.
A moça tem vergonha de tirar a roupa diante do novo namorado. Será que vai compará-la? Vai gostar do que vê? Ela se acha tão imperfeita quanto este texto. Nem bom, nem ruim, nem melhor que a média. Único e, talvez, neste momento, a única coisa que te prende o interesse.
Tu me contas segredos. Eu respondo publicamente. Não me escondo porque sou meio puta. Talvez revele mais de mim escrevendo do que tu, desnudando-te. Não sei exatamente o que é mais íntimo. Pessoalmente, acho que é o texto, mas eu posso mentir.
Tu me mandas uma foto nua depois de ler o meu blog. Agora nos cabe o trabalho de encontrar a verdade embaixo do photoshop.