Um ego maior do que tudo

Posted by tarrask on September 10, 2013 · 2 mins read

Quando eu era criança pequena lá em Barbacena, estudei inglês. Muito mesmo. Terminei fazendo uma prova mega-ultra-over difícil, que mais tarde teve pouquíssima utilidade na minha vida, exceto o de saber que eu li coisas que pouca gente lê.

Mas lembro até hoje de uma noite, na qual eu, jovem pré-adulto e semi-bêbado, respondia a uma amiga que me perguntava da dificuldade da prova. Ao lado dela, uma amiga dela, que eu soube depois que saiu dizendo pra todo mundo que eu era arrogante.

Eu dizia que a prova era infernalmente difícil. Do tipo, tínhamos que ler James Joyce (o grande ídolo de Ricardo Santiago), Dickens e Shakespeare. Ali, original, inglês mesmo, sem sacanagem. E eu dizia que era difícil, e que não ia passar (de fato, não passei. Era ano de vestibular, e até eu tenho limites).

Mas fiquei com a fama de arrogante porque disse que ia fazer uma prova. Como eu sempre digo, adoro as linhas de raciocínio das pessoas.

Conto isso porque recebi este poema por mail, lembrei que o li naquela época e resolvi compartilhar com vocês.

For shame! deny that thou bear’st love to any,
Who for thy self art so unprovident.
Grant, if thou wilt, thou art belov’d of many,
But that thou none lov’st is most evident:
For thou art so possess’d with murderous hate,
That ‘gainst thy self thou stick’st not to conspire,
Seeking that beauteous roof to ruinate
Which to repair should be thy chief desire.
O! change thy thought, that I may change my mind:
Shall hate be fairer lodg’d than gentle love?
Be, as thy presence is, gracious and kind,
Or to thyself at least kind-hearted prove:
Make thee another self for love of me,
That beauty still may live in thine or thee.

Tentei traduzir, mas o texto fica sempre vergonhoso.