Eu acho algumas noções românticas bastante engraçadas, mas também incoerentes. Do tipo, por que as pessoas acreditam nisso, e depois acreditam naquilo, se não se pode acreditar nas duas ao mesmo tempo? Porém, apesar de eu ser praticamente um robô insensível, eu entendo que o amor é fantasia, e que é melhor não tentar mudar nada disso.
Melhor uma explicação: assisti um filme da Disney ontem. E meio que me choca um pouco a grande quantidade de ideias escondidas, absorvidas, inculcadas e propagandeadas nessas histórias sobre como os relacionamentos e o amor devem ser. A educação sentimental da sociedade é realmente meio falha: entregamos a histórias meique bobas a função de criar corações de cristal, que fatalmente serão quebrados lá pelos quinze, dezesseis anos, para que então nos tornemos todos cachaceiros, bregas e ouvintes de música de roedeira.
Fatalista, eu? Sim, até sou. Mas quem não é?
Adoro conversar com quem acredita em amor pra vida toda. Acho interessantíssimo quem acredita que amor se guarda, que há uma diferença conceitual entre sexo e amor, que não vale a pena se entregar na primeira vez a um estranho qualquer. Que apesar de termos feito tudo o que fizemos, todas as coisas do coração continuam as mesmas, as mesmas regras do amor.
O Joaquín Sabina gravou _Y nos dieron las diez _há algumas décadas. Já era um cantor adulto, desses que já viveram aqui e ali, que pode cantar com a voz da experiência. E escreveu uma linda canção sobre amor eterno e sexo à primeira vista com uma bela garota que ele nunca mais vai esquecer, e até fica louco. E que vai durar pra sempre.
Pra você ver que uma noite só também pode ser amor pra sempre.