um texto de uma pessoa que desapareceu da minha vida

Posted by tarrask on February 04, 2010 · 5 mins read

Estou escrevendo uns posts sobre turismo em Madri. Meio frila, meio diversão, meio recordação de tudo que vivi lá. Então encontrei uma foto do celular de uma página com um texto. E não me lembrava dele. Googlei frases, não encontrei nada. Procurei no computador, não encontrei. Até que googlei meu email, e tava lá: um email de uma amiga, dessas que somem. Há tempos, nunca mais soube nada dela, nem na verdade porque ela sumiu. Mas como eu já postei vários textos falando dela, e o texto é realmente muito bom, boto aqui. Textos não podem ser perdidos.

NT de emergência: este post estava agendado desde há uma semana. A desaparecida resolveu me escrever, na quinta ou na sexta-feira. Então, deixa de ser desaparecida e volta a ser uma cachorra bandida que eu amo muito.

Às vezes a gente tem que se curar de alguém. Tem que entender que quando passa a vontade de estar com a pessoa, o desejo, a felicidade, dando lugar à dependência por carência, então não há mais o que fazer, e por mais lenta que seja essa dor, uma hora ela passa. Sentir falta daquela pessoa e ao mesmo tempo não se imaginar estando bem se ela estivesse ao seu lado é algo realmente muito complicado. E não acho que se trate de um problema imaginário. Inclusive a dor da falta, algumas vezes, parece ser algo físico, como se realmente houvesse algum órgão dentro do nosso corpo sentindo aquela dor, vai além de uma dor psicológica e aparentemente invisível. A gente quase consegue tocar nela. Existem pessoas que, infelizmente, a gente tem que deixar passar pela nossa vida e ir embora, infelizmente! Imersos no problema não vemos soluções, nem um amanhã melhor sem aquela pessoa, porque parece que ela vai embora e leva uma grande parte da gente com ela, e se sente flagelado, incompleto, perdido. A gente nunca imagina que vai aparecer alguém melhor do que aquela pessoa pra gente. E pra piorar a situação a gente quer achar motivos para voltar atrás, ou para achar que foi o outro quem errou, pra manter firme a decisão. Quando se inicia um relacionamento a gente sabe quase que claramente o que atrapalha(rá), o ciúme, a posse, a vontade de possuir a pessoa e pertencer a ela, fazer dela nosso universo e imaginar nosso futuro única e exclusivamente com ela, e nosso projetos se voltam para um único alvo, a gente sabe disso… Pelas porradas anteriores, mas parece que a gente não aprende. É tanta burrice que se erra exatamente da mesma forma, nas mesmas coisas, parece uma cegueira intencional.

Então estar com a pessoa não tá bom, e estar sem ela é pior. E agora? Engolir o orgulho e todos os sapos e voltar atrás ou enfrentar a dor e reconhecer que o sentimento virou pó e deu lugar a alguma coisa outra que não é mais mágica e encantadora de sentir como era antes? Por que tudo sempre começa tão bem e fica chato tão facilmente? Porque a convivência é algo tão prolixo? Os conselhos são sempre escarrados por todo lado… do que fazer, da onde ir, do que mudar pra ser melhor, será que alguém realmente segue os próprios conselhos? Não dá pra colocar na balança de uma forma sistemática os prós e os contras e vê quem tem mais pontos porque não é matemática, não é assim tão calculável, não é tão lógico quando se trata de sentir. Então em que consiste a maturidade emocional? Como é que eu sei que estou sendo humilde e não idiota? Como é que eu sei que estou sendo flexível e não que estão passando por cima de mim com um trator? Como é que eu sei se ainda amo ou não alguém? Porque eu preciso dela comigo pra estar bem? E se eu precisar dela comigo pra não estar pior? Eu a amo ou eu dependo dela? Porque a gente sabe que vai cair e mesmo assim se deixa tão facilmente depender de alguém?

Talvez seja necessário um tempo pras coisas clarearem, pra se enxergar de forma mais tranqüila toda a situação, do fundo do poço não se vê quase nada, fica tudo obscuro e difícil de contornar… até isso é difícil, deixar o tempo passar e ver se algumas coisas se dissolvem por si só, ou não… Eu desconfio seriamente que o segredo de estar bem é amar a vida como ela vem.