O convidado de hoje é um dos redatores mais qualquer coisa de triste que eu conheço, meu ídolo e companheiro de horóscopo Ricardo Santiago.
Convenhamos, uma hora que termina na escuridão e com as rádios tocando “Ave, Maria” não pode ter qualquer coisa de alegre.
Aqueles 60 minutos que separam as 5 das 6 da tarde lembram um dimer apagando a luz do mundo e que faz tudo à sua volta começar a enlouquecer, entristecer, perder o sentido.
Não fica claro, nem escuro. Você não sabe se liga ou não o farol do carro. Os postes já estão acesos mas não iluminam. As cores já não respondem mais por si próprias. O azul fica pastoso, o verde vira lodo, o amarelo parece que está com conjuntivite. Não tem preto no branco, só cinza.
Você fica vendo o dia dando sinais que vai acabar e a sua pauta dizendo que “não”. O trânsito está mais ativo (e parado) do que nunca. A lua, pequena que só ela, coloca o sol pra correr. Parece que o dia está fechando os olhos e as pálpebras estão caindo sobre nós.
Tudo fica assim: nem uma coisa, nem outra.
Como paixão que já não queima, mas teima em não virar amor.
Como menino de óculos que anda em cima do muro, mas logo ali na frente vai cair do lado mais escuro.
Como a gripe que está chegando, que chateia, que entope, mas que ainda não tem força pra te derrubar.
Agora dá licença, que eu tenho de fechar a janela do meu quarto.