A língua ainda é a coisa mais excepcional que eu conheço. A maneira mais bonita, mais perfeita, mais redonda, de transmitir aquilo que eu tenho dentro da minha cabeça para a sua.
Não há nada que eu possa fazer que me pareça mais assombroso. E, para mim, o mais belo da vida é assombrar-me.
Infelizmente, o mundo está cheio de chatos desassombrados, que passam a vida acordando os outros dos sonhos, lembrando que a realidade é cheia de obrigações e detalhes ignoráveis. Gente que ignora a quarta parede e cujas mentes não são capazes de suspension of disbelief.
Não gosto das regras gramaticais quando castram as pessoas. Se você policia, caga-regra, pasqualeia o que o outro fala, é um chato. As regras, diria o Ogilvy, servem para obediência de tolos e orientação de sábios. Adoro quem rompe as regras intencionalmente, como quem ignora, por alguns segundos a Lei da Gravidade, só pra se amostrar, só pra mostrar que pode.
Quem conhece as regras e as distorce, transforma, medita e edita, monta e desmonta, tem um lugar especial nesse mundo.
Ignorar a gramática não é o mesmo que não sabê-la. Quando, por intenção, alguém deixa a NoCu de lado, quer dizer algo. Gosto dessas mensagens. Quando é simplesmente por preguiça de aprender, tenho preguiça de ouvir.
Regras pra lá, normas pra cá, só tenho uma certeza.
Sou incapaz de amar alguém que me chame de você.