Ela não se considerava atrativa. Sob pressão, admitia um ou outro encanto, uma cor bonita dos olhos, a cintura definida, uma personalidade legal, mas sentia-se desprezada pela genética.
Também considerava que as pessoas mais interessantes não se apaixonariam por ela à primeira vista.
Esse exagero na valorização da personalidade, o achar que a alma é mais importante que o corpo, tudo isso a incentivava a prestar mais atenção nas conversas, a debater melhor, pensar mais, produzir raciocínios complexos e tiradas engraçadíssimas.
Mas só se mostrava a quem conhecia muito bem.
Numa mesa de bar cercada de estranhos, a moça nunca se posicionava como centro das atenções. Quase calada, respondia mas não puxava. Era a rainha dos bastidores, mas evitava a luz do centro do palco. Não era seu lugar, e não iria forçar, pensava.
A beleza não é tudo, nem mesmo 100%, e nem mesmo fundamental, mas era melhor não correr riscos.
Em silêncio, pensativa, abria a boca somente quando tinha certeza.
Séria, dava sua atenção às companhias, e esperava a sua hora de intervir. No canto da mesa. Pronta para a guerra.
Alguém precisava dizer a ela que ninguém é feio rindo.