A diferença entre escrever num jornal e blogar

Artigo publicado no Jornal Contraponto, de João Pessoa-PB, em 2008.

Começo o artigo pedindo desculpas pelo desaparecimento. Aos leitores, aos comentaristas, à toda a equipe do jornal. Estive ocupado tentando entender o que acontece em Wall Street, que é muito interessante, mas não tem aplicação na minha vida prática.

Por outro lado, para continuarmos no tema, aproveito o meu sumiço para discutir com vocês as diferenças entre expressar-se na internet e no mundo jornal através dos periódicos. Não sou jornalista e acho que qualquer pessoa deveria ter o direito de expressar-se. Como nem sempre é possível fazê-lo em papel impresso, há muita gente que só o faz online, e alguns até vivem somente disto.

Há jornalistas importantes e respeitados que possuem blogs com todas as características de blog: Nassif, Noblat, Juca Kfouri, cada um falando sobre as suas áreas específicas, informando e publicando. Mas o que há de diferente?

Perenidade: o jornal, por definição, não é perene. É comum lembrar aos jornalistas que devem escrever bem todos os dias, já que aquele artigo genial de ontem hoje está enrolando peixe no mercado. Nos blogs, não. Recebo comentários de coisas escritas há tempos, e discussões antigas soem voltar à baila frequentemente. De vez em quanto um paraquedista chega, via Google, a uma página de 2007 e faz uma pergunta. E como a caixa de comentários está sempre aberta, ela é respondida. Há inclusive blogueiros que bloqueiam os comentários de posts muito antigos, deixando aberto apenas o email. No jornal, a opção dos leitores é debater tomando um café com os colegas de trabalho ou mandar uma carta. Mas é quase impossível uma carta sobre algo publicado há anos.

Interação: Os blogs trazem a sala do café para dentro do veículo. Sabe aquela conversa que você tem com seus colegas, discutindo se deveriam ou não demitir o Dunga, citando aquela partida horrível contra a Bolívia, ou lembrando como ele jogou contra a Holanda? Na rede, a discussão fica lá, registrada, e junta dezenas, centenas e às vezes milhares de pessoas. Claro, quando há excesso, já se torna impossível. Porém há debates interessantíssimos que merecem ser registrados. No jornal, podemos telefonar, mandar cartas e pouco mais. Por isso, há uma filtragem maior do conteúdo, e vemos menos coisas irrelevantes publicadas.

Frequência: Todo dia há jornal. Sempre. Se um colunista falha e deixa de escrever, nota-se. E é substituído por algo. Não há páginas em branco. No blog, há um post hoje, cinco amanhã e nenhum por uma semana. E a discussão continua, mais ou menos constante. Só quando há um sumiço sério, por muito tempo, é que começa-se a notar a falta, e até que notem que um blog morreu, é necessário bastante tempo.

No fim, são apenas veículos para conteúdos, que podem ser mais ou menos interessantes. E cada dia mais influentes. Vocês chegaram a ver que o acesso à internet em busca de informações econômicas aumentou 10% por causa da crise dos US and A?

2 Comments on “A diferença entre escrever num jornal e blogar”

  1. "Nos blogs, não. Recebo comentários de coisas escritas há tempos, e discussões antigas soem voltar à baila frequentemente."

    Me senti homenageado, com esse trecho.

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