A morte do papel e outras histórias

Artigo publicado no jornal Contraponto, de João Pessoa.

Há um ano, auto-publiquei um livro. Não da maneira tradicional, procurando um editor, arranjando alguém que diagramasse, gráfica, etc. Graças a este bicho estranho e branco que é o computador, uma pessoa pode escrever, diagramar, ilustrar, montar, mandar pra uma gráfica, pagar, receber em casa e gastar menos que comprar uma revista na banca da esquina.

Exército de um homem só para escrever, produzir e transformar em papel. Edição completa, uma quantidade de livros razoável para quem não fez a tradicional festa de lançamento. A quantidade de dinheiro que eu recebi, de lucro é maior do que a média brasileira para um escritor novato. E críticas que eu considero prêmios. Tudo resolvido.

A única coisa que uma autoedição não faz, no momento, é relações públicas. Ter contatos com as grandes redes de livraria para distribuir, ter contatos com jornalistas famosos para que estes façam críticas e principalmente como chegar ao público. Pra isso, é necessário ser famoso-conhecido-etc. Ou conhecer alguém assim. Atualmente, o melhor lugar para se fazer conhecido e ficar famoso do nada, é na internet. Então, resolvi fazer a última experiência com Elas e outras histórias, meu primeiro e único livrinho.

Os escritores tradicionais brasileiros vendem porque conhecem muita gente e já são conhecidos. Os novos, publicam primeiro na internet para serem conhecidos. Paulo Coelho já dá os seus livros gratuitamente na internet.

É, grátis. Quer ler Brida? Seu google trás. Veronika decide morrer? Também. E ele ainda vende mais do que qualquer outra pessoa, em trocentos idiomas. Ganha dinheiro com as pessoas que presenteiam livros, as pessoas que colecionam livros, ou simplesmente com quem quer ler na praia ou no banheiro.

Então, para imitar o Paulo Coelho no seu caminho para o sucesso, a partir de agora a edição está disponível, completamente grátis, na internet. Problemas? Nenhum, se você gostar de ler na tela ou em papel de impressora. E se quiser uma edição encadernada, colorida, bonita e cheirosa, aí é só comprar. Mesmo que seja para ler no banheiro. Dói um pouco no ego. Mas eu aguento.

O escritor é o cara que se encarrega de encher um papel de informações que estão disponíveis em outro lugar para vender. Ou seja, não vendemos texto. Vendemos papel. Como os músicos não vendem música. Vendem ingressos e CDs.

CQD.

PS. – o livro está disponível aqui.

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