A música como estopim para um golpe militar

Pode parecer estranho para quem entende pouco de história, principalmente a galera mais de esquerda, mas nem todo golpe militar serve para instalar ditaduras. No caso da Revolução dos Cravos em 25 de Abril de 74, em Portugal, aconteceu assim. Depois de uma preparação, uma parte sublevada das Forças Armadas preparou um golpe para destituir o governo, e puseram-se a postos. No dia 24 de abril, às 10 da noite, uma emissora de rádio de Lisboa deveria tocar a canção “E depois do adeus”, de Paulo de Carvalho. Era o sinal para que as tropas golpistas tomassem as posições combinadas.

A revolução

Depois, aos 20 minutos do dia 25, outra emissora de rádio deveria emitir a canção de Zeca Afonso, “Grândola, Vila Morena”, confirmando o golpe e marcando o início das operações. Então, o exército rebelde começou a atacar: tomaram bases em várias cidades importantes, aeroportos e quando o Ministro da Defesa começou a tentar reagir, já era tarde. Não havia mais tropas suficientes para nenhuma reação. O presidente Marcelo Caetano entregou o poder a um General em menos de um dia e partiu para o exílio no Brasil. No total, morreram 4 pessoas.

Estas são cenas do dia 25, com legendas explicativas, e a música é a própria “Grândola, Vila Morena”, cantada por Amália Rodrigues.

É conhecida por Revolução dos Cravos porque um soldado, marchando pelas ruas tomadas pelo exército e pelo povo, recebeu de um florista um cravo e o  pôs na boca do fuzil. Assim foi imitado por outros companheiros, e é um símbolo precioso do golpe de libertação de um povo sem disparos nem sangue.

Zeca Afonso

O Zeca Afonso é um dos mais conhecidos cantautores portugueses, autor de canções emblemáticas de protesto, contra a ditadura e a favor da liberdade. Como na ditadura brasileira, havia uma censura forte e perseguição aos autores, por isso muitas das canções estão cheias de metáforas para mostrar a opressão do povo.

Ao vivo no coliseu

Há um concerto maravilhoso no Coliseu de Lisboa, feito alguns anos antes de sua morte, que está praticamente inteiro no Youtube e é altamente recomendado para todos que queiram conhecer um pouco mais das músicas dele. Recomendo ler as letras, que às vezes as expressões e a pronúncia não são tão fáceis para ouvidos brasileiros.

Coimbra e o fado

Zeca Afonso foi estudante em Coimbra, e lá está sinalizada, na frente da Catedral, a casa onde viveu. Coimbra é a cidade dos estudantes, das praxes e das casas de fado. Então, o último vídeo é esta versão de “Traz outro amigo”, numa casa de fados.

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