Até mais, e obrigado pelos peixes

Artigo publicado no Jornal Contraponto, de João Pessoa.

Este pode ser o meu último texto neste jornal.

Algum dia não revelado neste verão, cientistas vão acender e inaugurar o Grande Colisor de Hádrons, um acelerador de partículas gigante, dentro do CERN, o maior laboratório de pesquisa de física de partículas do mundo. Lá, foram feitas trocentas descobertas importantes da ciência, Prêmios Nobel foram ganhados, e até inventaram a World Wide Web, a maior invenção humana desde a roda.

Agora, uma comunidade de quase 8000 físicos vai tentar repetir algo que aconteceu somente uma vez, e há mais de 13 bilhões de anos: recriar o estado do universo logo após o Big Bang. Por após, eles querem dizer uma fração infinitamente pequena de segundo, uma péinha de nada. Assim, poderão estudar partículas do tamanho de nada, que duram praticamente nada, e que são responsáveis apenas por tudo o que existe.

Se os átomos têm a forma que são, é por causa destas partículas. Se as cores são das cores que são, se a gravidade funciona, segundo a teoria, deve ser tudo explicado pelos dados que podem ser generados. Claro, são teorias, e o acelerador de partículas pode gerar os dados para descobertas impressionantes.

O grande medo é que, também há uma teoria menos plausível que, caso alguma coisa dê errado, seja gerado um outro Big Bang, uma antimatéria, um bug do milênio cósmico capaz de destruir todo o universo como ele é conhecido. Caput.

Parece cenário de ficção científica, né?

Bem, como eu vivo dizendo por aqui, os satélites também eram. E o fax, quando Victor Hugo descreveu pela primeira vez.

Não vi ninguém preocupado, nenhum político falando bem nem mal. Quem começou a financiar o projeto foi Margareth Tatcher, e desde então está tudo funcionando, sem problemas nem crises internacionais. Inclusive, nenhuma nave alienígena chegou à Terra para protestar contra o início dos testes, o que pode significar uma grande ignor”ncia interplanetária dos possíveis efeitos colaterais, políticos e aliens unidos na pouco-se-lix”ncia em relação à continuidade do universo, ou simplesmente que os aliens, vendo que não iriam conseguir, pegaram seus discos voadores e foram para o Restaurante no Fim do Universo, para tentar ver o Armaggeddon enquanto disfrutam de alguma iguaria rara.

Então, eu espero que tudo continue normalmente, que consigam as explicações que buscam, mas que nada exploda. Mas se explodir, fica aqui registrada a minha despedida, com uma mensagem de um dos maiores escritores de ficção científica de todos os tempos, o inglês Douglas Adams.

Foi um prazer escrever por aqui, e caso o mundo se acabe mesmo, pedimos desculpas pela inconveniência.

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