Fazer propaganda é muito divertido, né?

Um dos blogs de propaganda que eu mais gosto é o If This Is A Blog Then What Is Christmas?

A razão é que o autor não se preocupa nem com o que a indústria e o status quo pensam, nem muito menos em ser polido. Demonstra ser um cara inteligente e que não tá nem aí pra ferida alheia. Mete o dedo até tirar pus.

A propaganda está cheia de mané, gente. É sério.

Tem idiota na Campaign, tem idiota na Meio & Mensagem. Estamos cercados de idiotas. De repetidores de clichê. De gente que parece fugida de uma tira do Dilbert.

O post que eu linquei acima é um exemplo clássico. É um advertorial na Campaign, uma revista inglesa de notícias sobre o mercado.

A primeira coisa que a gente aprende na profissão é a diferenciar o que é uma reportagem de um anúncio. Tipo, publicitário tem a obrigação de saber que aquela matéria sobre gravatas, carros ou perfumes das revistas masculinas são publicidade. É básico, porra.

Aí, vem um coxinha cara, numa matéria paga por ele mesmo, dizendo:

Eu não consigo imaginar nada melhor ou mais excitante do que trabalhar em propaganda nos dias de hoje.

O Ben Kay é criativo. Começa a listar coisas mais interessantes. Profissões melhores. Tanto coisas fúteis como coisas importantes. Tanto coisas divertidas como serias.

A falta que faz um bullshit detector hoje em dia

Dá preguiça ouvir gente que diz que gosta de reuniões, de tirar fotos de sabão em pó, de refazer layout, de escrever texto legal.

Publicidade é massa. Como várias outras profissões também. Mas se o máximo que você consegue imaginar é isso, sei lá, é porque você nunca sonhou em ser astronauta na infância.

0 Comments on “Fazer propaganda é muito divertido, né?”

  1. Tarrasko,

    Tem gente que acredita que Bill Gates ficou rico só se divertindo. Tem quem acredite que o Facebook foi uma grande brincadeira. Tem quem ache que Seth Godin vive sorrindo por ‘só ter que escrever’.

    Tem quem se divirta fazendo planos pro futuro, e tem gente que gosta de apanhar.

    Tem quem prefira fazer tudo isso fumando crack. Funciona para alguns! 😉

    1. Claro que o trabalho não pode ser sempre divertido. O que eu achei foda do artigo original, e que o Ben Kay criticava no post dele é o pensamento de alguns publicitários de que fazer propaganda é a melhor coisa do mundo, a mais divertida, a mais importante, a mais… (fiquei com sono).

      Eu adoro o meu trabalho, não há muitas outras coisas que eu gostaria de fazer por dinheiro (talvez escrever artigos de opinião, ou tirar fotos, ou contar ondas na praia, mas ninguém me paga por isso). E, principalmente, é sempre bom lembrar que há outras profissões mais válidas e importantes para a coletividade.

      Uma vez discuti com uma médica amiga da minha mãe, que defendia que a minha profissão é tão válida quanto a dela. Não é. Uma pessoa que salva a vida de crianças é mais importante que uma pessoa que te convence a comprar este carro e não aquele.

      Claro, alguém tem que fazer o trabalho sujo, e eu não sei operar corações. Então fico com a publicidade. Mas tenho a obrigação de ser consciente do valor que aporto à sociedade, não?

      1. Claro que tem que ser consciente, pelo menos é isso que a gente espera de uma pessoa sincera que já amadureceu.

        O que eu comentei era sobre as pessoas que continuam vivendo, mesmo depois de velhas, num mundo de fantasia onde a maioria de seu tempo e energia é gasto em racionalizações, entortando a realidade para que ela caiba naquela minha percepção pré-moldada.

        Pr’essas pessoas, o discurso sempre vai ser como o da matéria paga. Meu trabalho é o melhor do mundo, eu vivo permanentemente feliz.

        Agora eu aposto duas patacas como as ações serão muito diferentes desse discurso, e coitada da namorada que tem que aturá-lo por mais de 15 minutos.

        1. É. Principalmente isso. As pessoas que pensam assim são insuportáveis tanto no pessoal quanto no profissional, pra citar o Fausto Silva. 😀

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