Hikikomori de mim mesmo

Quem prefere uma boa conversa online a uma mesa de bar?

Pergunta capciosa. Resposta, até há pouco tempo, óbvia. Agora, nem tanto. Escolha racionalmente, pesando pros e contras. Nem sempre a mesa de bar é melhor. Nem toda conversa cara a cara revela mais sobre nós, agrada mais ou resolve problemas.

E o problema não é tão recente, só vem aumentando, porque estamos na época em que tudo aumenta. A namorada que escreve uma carta com todos os defeitos do parceiro torna-se uma série de emails, ou até mesmo uma wiki.

De onde veio esse papo?

O Scott Adams falou há algum tempo, e eu fiquei com a pulga atrás da orelha. Boa parte dos meus melhores amigos não sentam num bar comigo há bastante tempo, tipo anos venusianos, e mesmo assim as boas conversas fluem. Depois de velho, tenho cada vez mais dificuldade de não dormir ao ouvir platitudes, de evitar bocejar na cara de quem repete as opiniões políticas da Veja.

Hikikomori de mim mesmo

Antigamente, o medo dos pais era que a internet isolasse os filhos. Hoje, o medo é que conecte demais. Há tanta coisa interessante acontecendo na rede, e o mundo normal é tão simples e plausível que o horizonte parece cada vez mais com a Matrix. Nós e nossos cabos, nossos wifis, conectados a um universo paralelo, muito mais interessante, com ideias muito mais afins ao que somos.

Provocação

A caixa de comentários está aberta. A linha do twitter também. Mas a mailbox e as DMs é que estão sempre cheias.

Acontece somente comigo?

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