Imprensa favorável ao Lula

Coisa que aprendi na Espanha: não existe imprensa neutra.
Aqui há, numa leitura rasteira, 3 grandes jornais: El PaísEl Mundo e La Razón. É um jornal da esquerda zapateirista (que é algo como o PSDB), um da direita moderada (algo como o DEM) e um da direita escorregando pra Opus Dei (que bem, no Brasil a gente não tem).

Quer saber a posição absolutamente neutra? Lê os três. Ninguém aqui disfarça as suas preferências.

Por que não há imprensa favorável ao Lula?
Não vamos nos enganar: os jornais são empresas privadas. Se houvesse consumidores suficientes para sustentar um jornal diário falando bem de Lula, eu faria um. Se você acha que há, por que não faz?

Jornalistas não são paladinos da justiça. Paladinos da justiça, na vera, não existe nem na própria justiça, meu nego. Jornalistas, como publicitários, feirantes, secretárias ou caixeiros-viajantes são apenas seres humanos que precisam pagar as contas e garantir o leitinho das crianças.

#mimimi de direita x #mimimi de esquerda
Acho que já tava na hora do Estadão assumir (como fez) uma candidatura. A Folha pode fazer o mesmo. E também tá na hora de quem for da esquerda, também assumir seus pontos de vista. A neutralidade, se couber, é do eleitor.

A vantagem da transparência
Quando eu leio El País, sei que eles são contra o Partido Popular, então desconfio. Quando eu leio La Razón, sei que são contra o casamento gay ou o aborto. Logo, desconfio. Qualquer pessoa alfabetizada neste país sabe a posição de cada jornal. E assim a democracia (com oito mil defeitos) vai pra frente.

É diferente no Brasil, onde há uma escola de jornalismo que defende uma imparcialidde que não pode existir. Defende que jornalista não tem opinião. Parece o Papa defendendo abstinência. Me apresente o primeiro jornalista 100% neutro e eu prometo engolir as minhas palavras.

Galvão Bueno e o Corinthians
Já repararam que em toda mesa de bar tem um cara que sabe o time do coração do locutor? “É porque ele narra os gols com mais emoção.” Lógico, né, gente? Senão, seria melhor ver o campeonato do Vietnã, só pela beleza plástica e estética do futebol (deveria colocar aspas, acho).

Nas discussões políticas, mesma coisa. Sempre tem um chato pra dizer: mas a Folha é do Serra. Tá, ok, é do Serra mesmo e pronto. O Serra comeu o Frias e tá tudo certo já. Mas e daí? Que conclusão chegamos com isso?

A Folha, o partido e todo mundo que apóia o Serra têm o direito a opinião e voto, até onde sei. E vão continuar tendo.

E um jornal para os eleitores do Lula?
Tá difícil. Nós que trabalhamos com comunicação sabemos: é cada dia pior ser dono de uma empresa de jornais, quanto mais uma nacional, respeitável, ou pelo menos com fachada disso. E o público do Lula capaz de ler jornal e comprar um todos os dias não dá pra manter uma tiragem nacional, dá?

Dá pra manter a Carta Capital, mas um jornal mesmo, diário, nacional, é difícil. E vai ser cada dia mais. Tanto que a esquerda já se ligou que em papel não rola, mas em blogs e portais sim que dá.

A neutralidade acaba aí, e todo mundo fica mais livre com essa transparência, cês não acham?

It’s the economy, Mr. Watson.

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