Não é só a propaganda que precisa ser mais interessante

Sabe aquela pessoa que, só de falar com você, dá já vontade de jogar Angry Birds? Sabe aquele colega de trabalho que quando te manda um email, você já tem vontade de abrir o google+?

Vire a mesa. Sabe aquela pessoa que quase nunca te olha nos olhos porque esta, por exemplo lendo o twitter?

É porque todos nós somos chatos.

Tapa na cara
Ela esta jogando Angry Birds porque o seu papo sobre futebol, filosofia ou cinema russo não tem graça. Ele não quer saber da promoção do shopping e abre o foursquare.

As pessoas, assim como as marcas, também vão ter que brigar pela nossa atenção. Porque o publico-alvo esta mais interessado em outras coisas. E a resposta para “por que ele está mais interessado em outras coisas?” é sempre a mesma: porque uma coisa é sempre mais interessante que outra.

Cota de proteção para assuntos e pessoas desinteressantes

Aposto que o seu cérebro ligou a auto-defesa e ficou com pena dos desinteressantes. O meu também, afinal, eu sou chato e já estou calejado, acostumado a ser ignorado. Mas a verdade sempre se esconde na segunda reação, não na primeira. Lá vai um corolário de Tarrask pra vocês discutirem:

Se, ao invés de defendermos a educação que nos obriga a dar atenção aos desinteressantes, nós passássemos a atacar o desinteressantismo, o mundo seria menos chato.

Da próxima vez que você começar a falar e alguém abrir o twitter, não reclame. Primeiro repense o que ia dizer e pense se é mesmo necessário abrir a boca. Se o seu interlocutor não quer ouvir, pra quê?

0 Comments on “Não é só a propaganda que precisa ser mais interessante”

  1. É difícil competir com a internet pela atenção de alguém, mas quando você consegue a vitória vale mais.

    Você leu o que eu escrevi? Vai comentar sobre? 🙂

    1. Hoje em dia, não é só a internet. A ideia do post foi quando eu me vi, dia desses, ouvindo alguém falar, e não conseguia parar de pensar que a minha caixa de spam é mais interessante do que ouvia.

      1. Muito bacana esse post. No lugar de criarmos uma ‘Cota Social de Atenção às Pessoas Desinteressantes’ podemos simplesmente fazer com que elas deixem de ser desinteressantes. A questão difícil fica na definição de como fazer isso. A capacidade de ser interessante parece sempre depender de algum esforço pessoal, então como podemos gerar esse tipo de interesse numa quantidade maior de pessoas?

        1. Acho que o primeiro passo é conscientizar os chatos de que são chatos, e que a sua desinteressância é uma falta de educação para com o tempo das pessoas, não achas?

          1. Sim, acho uma boa. Mas é engraçado associar desinteressância com falta de educação. Legal.

          2. hahahahah, gostei desse seu ponto de vista!
            Acho que vou me sentir menos escrota quando tentar ignorar um chato.
            Acho que me esforço demais para parecer interessada em alguém que não me interessa em nada. :p

        2. Liev,

          Falando genericamente, sempre existirão pessoas que acharão até esse post desinteressante.

          Fora que, se tudo o que todos falassem fosse interessante, a danadinha da nossa percepção rebaixaria tudo a desinteressante! 😉

          Mas especificamente com relação às pessoas no nosso entorno, eu acho que a forma menos brutal de mostrar que alguém tá falando algo desinteressante é você passar a falar de coisas muito mais interessantes, e citar outras coisas que lhe interessam ainda mais.

          Ou seja, você tem que tomar as rédeas da conversa, e torcer pro outro ser competitivo e tentar se igualar.

          Mas se não der, você pode sempre voltar sua atenção à internet e ficar balançando a cabeça como se concordasse com a mula falante.

          1. Não me parece que a nossa percepção rebaixaria tudo a desinteressante se todas as pessoas fossem interessantes porque existiriam milhares de “tipos” de interessantes e um não afetaria o outro. Desse modo, todos seriam diferentemente interessantes e aí o cérebro não misturaria um com outro para torná-las desinteressantes.

            Concordo que daria pra conduzir uma conversa e usar isso para estimular a interessância da pessoa com discussões especificamente pensadas para este fim.

  2. Nem tudo interessa a todo mundo e o tempo todo. Mas a educação formal diz que eu sou mal-educado se Lievo começar a falar, sei lá, de escalas mecatrônicas da guitarra e eu não prestar atenção, enquanto que não é falta de respeito eu começar a discorrer sobre aquelas piadas de Monty Python que só eu entendo porque só existem na minha cabeça.

    Fazer um blog me fez pensar que isso é um pouco diferente: quando falo de algo que não interessa a ninguém, as pessoas têm total liberdade de me ignorar, sem serem grosseiras. Isso me obriga a tentar ser mais interessante quando falo, e evitar fazer vocês perderem o tempo quando lêem o que posto aqui.

    E esse raciocínio pode ser extrapolado a qualquer aspecto da vida no qual há interação social. Não?

    1. Minha opinião é que sim e não. Acho que a etiqueta na comunicação presencial é diferente da etiqueta na comunicação virtual devido às condições próprias de cada ambiente. Acho que o ponto central da falta de educação é o aspecto de ignorar alguém quando este alguém deseja alguma manifestação sua. Quando dirigimos nossa voz aos ouvidos de alguém é porque estamos solicitando uma reação desta pessoa, nem que seja a de dizer que não está interessada no nosso assunto. Parece que todo mundo se sente mais envergonhado de ignorar cara a cara. Só que no ambiente virtual não estamos endereçando a mensagem para ninguém em particular. É como jogar uma carta no mar e ver se algum dia retorna com uma resposta. Acho que é por isso que ninguém se incomoda por estar sendo “ignorado”, e também as pessoas se sentem mais à vontade para “ignorar” na internet. De um modo ou de outro ninguém sai perdendo e nesse sentido acho ótimo.

      Mas estamos de acordo que escalas mecatrônicas devem soar muito bem na guitarra!

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