O coletivo de gente era multidão. Agora é internet.

Há muito tempo, li em algum lugar que multidão é o bicho mais irracional do mundo. Basta observar rapidamente qualquer turba para chegar a esta conclusão. Um barulho qualquer, um grito de guerra, um gol, um pequeno distúrbio é capaz de fazer com que centenas ou milhares ou milhões de pessoas ajam de maneira burra, mas usando uma quantidade imensa de força. Um líder mal-intencionado pode manipular gente a fazer todo tipo de atrocidade.

O gênio, antigamente, era um indivíduo solitário, que servia de vetor para uma mudança, para uma ideia ou um objetivo. Colombo, Lincoln, Copérnico, etc. Todos orientaram movimentos para a melhora. Do mesmo jeito que os vilões são indivíduos que conseguiram levar um grande grupo à barbárie. Pol Pot, Stálin, Hitler, et caterva. Mas são movimentos originários, onde é possível encontrar a cabeça, os líderes, a origem, e a grande maioria das pessoas é incapaz de saber exatamente quais são os planos, os desígnios e os fatores que direcionam o rumo (e a força) da multidão que formam parte. Vão, simplesmente, gritando e fazendo força atrás da galera.

Uma multidão não é mais inteligente que um enxame de abelhas, que segue seus instintos para proteger a rainha e a colmeia. Poderosa, sim, mas sabemos que pode ser direcionada para o bem e para o mal.

Pela primeira vez na História, é possível deixarmos de ser multidão.

Com o aumento da possibilidade de comunicação interpessoal, ou seja, com a internet, é possível a comunicação com praticamente qualquer tipo de pessoa, inclusive os mais distintos líderes. Quem, na União Soviética, poderia mandar uma carta pro Stálin e dizer que ele estava errado, ou mesmo que tinha uma sugestão para melhorar o governo dele?

Hoje é possível juntar grupos informados para realizar ações dirigidas. Ou seja, criar multidões que sabem pra onde estão indo. Que tal um milhão de pessoas emprestando dinheiro para pessoas pobres do terceiro mundo? Ou conseguir um emprego para um mendigo que tem um talento óbvio e precisa de uma segunda chance? Ou juntar dezenas de indivíduos-chave (tradutores de russo, pessoas com um sofá livre, policiais e agentes de imigração) para impedir que uma garota seja sequestrada por uma máfia de exploração sexual russa, usando apenas um foro da internet? Ou um bando de adolescentes malucos botarem na cadeia uma velha que jogou um gatinho no lixo?

Como contraponto, é lógico que é possivel usar todo este poder de comunicação para ações negativas. Mas este poder sempre foi usado, e para fazer o mal, creio eu, a ignorância é melhor ferramenta do que o conhecimento.

butterfly

Por que conectar todo mundo? Porque a soma é maior do que as partes.
As Nações Unidas foram criadas para que os representantes de todos os povos pudessem, juntos, representar o planeta inteiro. Através dessa delegação de poder (primeiro aos representantes locais, depois ao Plenário), consensuou-se diversas declarações de direitos humanos, e várias outras iniciativas para o bem comum. Entretanto, em pouquíssimo tempo, nós poderemos ter uma representação direta.

Ou melhor ainda: as pessoas interessadas em uma causa específica (salvar as baleias, os alcoólicos ou a praça local) poderão se reunir e decidir rapidamente e com muito mais informação o que desejam e irão fazer.

A multidão era quando um bando de corpos estavam agindo juntos, seguindo os pensamentos de um ou poucos. Na era da hiperconexão, só agirá quem estiver conectado em pensamento.

Esta será a única conexão que nos separa dos animais. Não acham?

O maravilhoso mundo conectado
Há um pouquinho de tempo, comecei a colecionar, quase sem querer, material sobre coisas positivas que só acontecem no mundo porque vivemos em rede. A ideia é fazer um blog, um livro, alguma coisa que eu possa dividir com outras pessoas. Quem tiver alguma sugestão, vir algum link, manda pra cá, que eu agradeço bastante.

Quando estiver um pouco mais formatado, vou publicar aqui.

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