O que aconteceu com o cara mais idiota da sala?

“El más capullo de mi clase, que elemento, llegó hasta el parlamento.” – Joaquín Sabina, El blues de lo que pasa en mi escalera

 

Traduzindo: O mais idiota da minha classe, que elemento, chegou até o parlamento.

É uma crônica sobre como quem a gente era na escola não necessariamente é prova definitiva de como vai ser o futuro. A santinha evangélica da sala vira puta, a lindinha vira um dragão antes dos 25, e aquele cdf não chega a lugar nenhum.

Mas o que me inspirou a escrever às pressas é que, na vera, um guri que a gente suspeitava ser devagarzinho da cabeça, que nunca entendia piada nenhuma, que uma vez deu uma cabeçada na parede só pra fazer graça, que nunca falava nada interessante, enfim, um completo idiota, chegou ao parlamento do Brasil. Diputado. Vossa (minha não, que eu só voto pra presidente) Excelência. Não vou dar muito detalhe porque esse pessoal político costuma ser muito sentido quando é chamado de burro.

Feedback ouvido na escola

Eu era um pirralho tímido e tranquilo. Não costumava ser muito notado por professores, ou pelo menos não me lembro de me chamarem atenção. Exceto talvez no ano do vestibular, que o diretor do colégio fez uma reunião com os professores pra tentar me expulsar, e terminou desistindo, e outra que vai ser bem estranha pra quem só me conhece de ler blogs ou qualquer coisa que eu escrevo: o professor de redação do terceiro ano me escreveu: “se você acha redação uma piada, desista de prestar vestibular.” Taí, ipsis literis. Continuo achando escrever muito engraçado.

Voltando ao que interessa: o passado influencia o futuro?

Já parou pra pensar que a maioria dessas historias é de gente que era potencialmente brilhante e deu em nada? Aquela menina que era tão bonita que ia virar atriz de novela? Casou cedo, embarangou e tá num bar de segunda, pagando de cougar.

As mudanças realmente chocantes, transformadoras numa reunião de escola 20 anos depois quase sempre são decepções, gente que ia e acabou fondo. Não vale tentar me lembrar daquele cara que era bagunceiro e ficava de recuperação e se virou advogado, e muito menos publicitário, que nessa profissão qualquer um se dá bem. Conte-me casos de sucesso que davam pra prever desde criança. Cadê?

Enfim, de onde menos se espera, dali é que não sai nada mesmo.

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