Ragtime x 80s: um mashup estranho e genial

Scott Bradlee é um tecladista que toca músicas dos anos 80 em estilo ragtime, com aquele jeito faroeste de tocar piano. É mais um produto da onda mashup, de misturar coisas como Total Eclipse of the Heart com o século XIX, que só a internet trás pra gente. Você abre o vídeo, e vem a interrogação gigante na cabeça. Depois, entra na música e os neurônios começam a viajar, a tentar lembrar. Fica o sorriso na cara.

Outra coisa genial é a maneira como ele resolveu transformar duas coisas que gosta numa profissão, de uma maneira que só a internet permite. Primeiro, o cara sobe o vídeo no Youtube. Depois, sobe 20 músicas individualmente no iTunes e na Amazon e começa a viver disso. Quem imagina que alguém pudesse viver de um tipo de música tão específico há 10 anos? Realmente, Long Tail como nunca visto antes.

Acho maravilhosa a sensação de ficar assistindo e reconhecendo melodias tocadas de maneira estranha. Numa manhã que tomamos café ouvindo João Brasil, é óbvio que o dia tinha que acabar assim. Fica inaugurada a sessão de músicas surrealmente, como era de se esperar.

Já que somos realmente a geração do mashup, e nada é sagrado o suficiente para não ser misturado, reinventado e batido no liquidificador, o lance mesmo é aproveitar, e procurar os precursores disso. Pureza é pros fracos, a gente quer é coquetéis, Molotov ou White Russian.

Quando eu era adolescente e adorava Engenheiros do Hawaii (que sampleavam a Voz do Brasil e citavam Ferreira Gullar pra falar de coisas que aparentemente não tinham nada a ver), o pessoal torcia o nariz pra isso. Gostava de purismos, da versão oficial (pra mim, a palavra mais ridícula da língua portuguesa. acho que nunca a escrevi num contexto sério). Ou então mundos alternativos (convenci @cristinasants a ir ao Castelo Neuschwanstein só porque eu adorava o cenário do jogo de RPG Castelo Falkenstein). Enfim, adoro a mistura.

Neuchswanstein

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