Teoria da Evolução dos Erros

Nas empresas modernas, é lugar comum se dizer que você deve aprender com seus erros. Quando mais você falhar, mais chance terá de ter sucesso no futuro.

Cada erro é um caminho que não chega ao destino que queremos, e depois de muitos erros você encontrará o caminho correto.

Todos esses conselhos fazem sentido, já que errar é humano e é errando que se aprende. [combo de clichês aumenta audiência, Tarrask?]

Mas será que é tão simples assim? O que acontece se tivermos uma geração inteira ansiosa, desesperada para errar logo?

Será que é saudável que o centro da atenção de todos esses ensinamentos seja a falha?

Quando refletimos um pouco mais, notamos que essas frases servem para acalentar nossa auto-estima dos erros que cometemos. Elas sao feitas pra nos manter caminhando, mesmo levando um tombo.

É importantíssimo que não sejamos paralisados pelo medo de errar, nem que fiquemos paralisados diante de um erro, e também

O problema é que essa função confortante do conselho é apagada quando escutamos o mesmo conselho trinta e duas vezes por dia. Devido à repetição, passamos a entendê-lo literalmente.

Aprendemos que o erro é algo bom, desejável, e que só ele nos trará recompensas.

Qualquer criatura que já levou uma chinelada da vida sabe que não é assim que funciona, mas esse mantra do culto ao erro acaba contaminando até os mais surrados.

Errar é inevitável? sim, mas não quer dizer que deva acontecer sempre, nem que é algo bom.

Nosso foco não deve ser o erro.

Num estudo citado nesse podcast, eles verificaram que numa empreitada, as pessoas que já falharam tem a mesma probabilidade de sucesso que as pessoas que nunca tentaram antes. Só quem tem chances maiores são aqueles que já tiveram sucesso no passado.

Isso mostra como o erro, por si só, não nos ajuda em nada. Não é um diferencial. Não é nada que você deva colocar no currículo.

Imagine se um projeto no qual você estava envolvido deu errado, falhou. Agora imagine que num segundo projeto a única mudança seja evitar aquele erro passado. As chances desse segundo projeto fracassar são as mesmas que as do primeiro. E como o primeiro fracassou, sua perspectiva é das piores.

E em casos extremos, o erro torna-se um fator que diminui suas chances. Ele pode facilmente se tornar uma âncora, uma obsessão que suga nossa atenção enquanto devíamos estar dando os próximos passos.

Afinal, melhoramos valorizando o que funciona.

Basta lembrar da teoria da evolução das espécies. Ela não acontece se baseando nos fracassos. Nós evoluimos acumulando o que deu certo, e depois arriscando outras melhorias.

Na hora de planejar um novo projeto, você deve levar em conta o que funcionou para o projeto anterior, e buscar fortalecer os pontos que não funcionaram.

Temos que evitar os erros, e não cultivá-los.

Pode ser planejando melhor, pode ser aprendendo com o sucesso de outras pessoas, pode ser de qualquer forma que traga melhorias.

Isso não é uma garantia de sucesso, mas deixa ele mais provável que a estratégia de correr para errar ao máximo e experienciar cada erro pra poder ser bem-sucedido.

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