O fim dos livros

Artigo publicado no jornal Contraponto, de João Pessoa.

Philip M. Parker é o autor de 200.000 livros. Todos técnicos, compilados através de algoritmos que ele desenvolveu. Ou seja, ele recolheu informações livres (que hoje já são maioria na quantidade de informações produzidas no mundo), organizou e transformou em celulose. Pode procurar no NY Times.

Eu não vou discutir o mérito de direitos autorais. Ele está vendendo compilações de informação, então não há um autor que cobre direitos. É como um editor que cobra para vender um livro de Shakespeare. Cobra o papel, diagramação, etc, mas não cobra o trabalho de escrever.

O que ele fez foi se aproveitar de uma quantidade de gente imensa que não sabe ainda encontrar, classificar e utilizar informação que já está disponível online, e transformar num material para uma (no momento) maioria: as que estudar no papel.

A grande questão é: para dados técnicos, que são atualizados frequentemente, que não são lidos em ordem, hoje já é muito mais fácil acessá-los numa máquina. O que sobra pra ser impresso em papel é literatura.

Os três argumentos usados pelos amantes do papel são, basicamente: 1 – ler na tela muito tempo cansa; 2 – o livro eu posso riscar; e 3 – o computador eu não levo pro banheiro.

Os livros de consulta do Dr Parker não são grandes. Na verdade, são conteúdos feitos para serem lidos na tela, e ele só imprimiu porque há pessoas habituadas a isso. E é um hábito que, em uma ou duas gerações, não existirá no futuro próximo. Logo, ler um artigo, passar para outro artigo, buscar outra coisa é mais cômodo no computador.

O computador não te permite riscar um livro. Permite anotar livros inteiros em cima de outros livros. Permite reeditar. Permite copiar e colar. Logo, supera com juros a questão 2.

E bem, a questão 3 só vale para literatura e jornal. Ainda não conheci ninguém que leva um livro de Kant ao banheiro, e se existir, por favor, eu não quero conhecê-lo.

Mas como será a impressão de livros no futuro? Pois bem. Se os livros-texto didáticos e os livros técnicos serão feitos de forma digital, para permitir atualização, edição, reedição, etc etc ad nauseam, sobrará a literatura.

E quantos livros de literatura devem ser impressos? Esta é a pergunta do milênio. E já foi respondida. Os livros só serão impressos depois de comprados. Hoje, demoram uns 5 a 7 dias mais que comprar um livro já impresso online. Mas evita desperdício, evita o famoso encalhe, e protege a natureza.

Ei, já se pode fazer isso hoje? Pois sim, pode. Qualquer pessoa pode. Até eu. Então, o fim dos livros é o fim do mundo ou é o recomeço para a literatura?

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