Papo reto

“Pra mim, a solução para o futebol brasileiro é trazer de volta o Romário e expulsar esses petistas que estão esculhambando as federações. Aliás, deveriam aproveitar para proibir os esportes profissionais, porque são o ópio do povo, e as drogas deveriam ser legalizadas.”

A opinião aí não é minha, mas poderia muito bem ter saído da boca de um cerumano com polegar opositor e conexão à internet, e foi escrita numa tentativa de mudar de tema a cada nova oração. Vocês que são da minha idade nem devem mais lembrar, mas oração e tema são coisas que a gente deveria aprender nas aulas de português, lá no ensino médio (colegial, segundo ciclo, sei lá como escreve), mas a gente tava mesmo era preocupado em saber se a Bruna tava mesmo dando bola pro Marcelo.

Falar corretamente não significa ortografia nem gramática somente, mas a capacidade de conectar um raciocínio ao outro. Seguir uma linha com começo-meio-e-fim. Ir de A a B sem meter outro assunto no meio.

Um superpoder que está ficando cada vez mais raro. Com a multiplicação de telas, de conversas paralelas, de smartphones cheios de assuntos mais interessantes, tweets geniais aliados à distração intrínseca de cada um de nós e à estultice que as pessoas insistem em cultivar, acho bastante provável que, em poucos anos, ninguém mais na nossa civilização seja capaz de começar e terminar um papo reto.

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