Estudar pra quê?

Artigo publicado no Jornal Contraponto, de João Pessoa, em 2007.
Não lembro de nada da Revolução Praieira. E eu adoro, de verdade, estudar História.

Quando eu era um menino pequeno (que hoje, sou apenas um menino grande), os fêssores citavam aquelas datas tediosas e aquelas fórmulas que ninguém entendia para quê serviam, com a desculpa que “quando você chegar na universidade e for pagar Cálculo 1, vai ser importante”. Cheguei na universidade, não paguei (fiz comunicação, onde não me ensinaram a escrever), e também não lembro de lhufas daquelas fórmulas, nem para quê servem. Mas entendo mais ou menos como funciona a Teoria da Relatividade e o Princípio da Incerteza de Shröedinger (que não seriam matéria de 2º grau no Brasil porque os professores são incapazes de compreender, quem diria de ensinar).

Até onde eu sei, a educação pública e privada das crianças ainda é jogar uma quantidade absurdamente idiota de dados, para que as crianças decorem e depois esqueçam. Aposto meu diploma que ainda ensinam como pesquisar em uma enciclopédia, mas não ensinam como saber se algo é verdadeiro ou falso na internet (ei, é possível. Eu posso ensinar. Mas cobraria caro.).

Na semana passada, alguém caiu de para-quedas num blog meu procurando, literalmente, “o significado do poema eu cantarei de amor tão docemente”. Assim, sem vírgulas, maiúsculas, lógica. Um poema em português. Aposto que não era pra prova. O que iria cair na prova era a data que morreu Camões, qual é o seu livro mais importante, e por quê. E as respostas seriam 10/06/1580, os Lusíadas e porque é a principal epopéia da época moderna, comparável apenas a textos escritos mais de um milênio antes. Informação que você encontra em 2 minutos, na Wikipedia. Mas as criancinhas não sabem procurar lá. São pessoas que vão trabalhar com computadores (daqui a duas décadas, quem não tiver acesso a um computador 24 horas por dia trabalha dentro de uma mina de carvão, e lá não faz falta saber quem é Camões). Então, para quê serve saber os dados, sem interpretar? Medo da remota possibilidade da Internet, de repente, deixar de existir?

Memorizar é inútil. Principalmente dados que TODO mundo tem. Lembre-se da sua senha, do aniversário dos seus irmãos. Se você precisar de uma data específica, de uma fórmula específica, a terá pressionando alguns botões. O importante, e que ainda não é ensinado, é que botões devem ser apertados.

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