Medo, horror e sentimento de perda

Artigo publicado no Contraponto da semana passada.

Creio que a maioria dos leitores deste jornal devem ter passado batido. A notícia nem saiu no JN. Talvez a Folha de SP fale algo, no caderno de Informática. Quase ninguém no mundo deu import”ncia. É quase como se houvesse um tremor de terra absurdo na ilha de Sumatra. Não muda a vida de ninguém. Ainda. Mas uma placa tectônica se move lá, desenrola pra cá, descamba para acolá, e termina atingindo todo mundo.

O Google mudou a maneira de classificar o PageRank na quinta-feira 25 de outubro. Google é a maneira mais usada no mundo de encontrar alguma coisa. Desde 2001, quando superou as orações para São Longuinho. PageRank é um programa que ele usa para decidir quê página indicar antes de qualquer outra. Quando você digita coisas como “fotos da Mônica Veloso na Playboy”, ele não dá qualquer página. Ele busca num banco de dados imenso qual é a página que é mais indicada por outras páginas, as páginas que são mais confiáveis em relação a outras buscas, a quantidade de visitas que você tem, e várias variáveis desconhecidas, exatamente para que as pessoas não possam trapacear e tentar subir no resultado das pesquisas assim, só porque querem.

Muita gente paga para aparecer na frente, nos links patrocinados. Outras, descobrem maneiras de aparecer antes. Os internéticos chamam isso de SEO (Search Engine Optimization).

Lógico, existe gente cujo trabalho é somente o de conseguir que a sua página saia antes no Google. Afinal, ninguém lê a quarta-página de resultados. E toda essa gente, que já começava a intuir as maneiras de subir o nível (o chamado PageRank), agora está no mato sem cachorro, por um bom tempo, até reaprender a aparecer lá em cima de novo.

E o quê isso muda a vida do cidadão normal?

Bom, alguma coisa mudará. Lá longe, o editor-chefe do NY Times está preocupado. Bill Gates treme de medo. Rupert Murdoch não sabe direito como suas empresas vão reagir.

Todos os grandes negócios do mundo são feitos de acordo com a Internet. A opinião pública mundial é ditada pela rede. As pautas jornalísticas, os temas de discussão.

Algo muda quando a grande fonte de informação do mundo muda seus critérios para dizer o quê é importante e o quê é irrelevante, não?

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