You can’t have it all – propaganda é uma profissao para bipolares

“You can’t always get what you want but if you try, sometimes you get what you need.” – dois filósofos ingleses.

Nós vivemos em busca de um perfect day (beber sangria no parque, depois ir pra casa, ver um filme). Nós vivemos em um mundo onde todo mundo está falando o tempo todo, mas mediocrity0905-thumbpouquíssima gente escuta. Estamos sempre procurando alguém pra escutar o que queremos falar, mas nem mesmo sabemos exatamente o quê vamos a dizer, o que temos de bonito. E terminamos falando do tempo.

Por isso eu nao gosto da maioria das propagandas que há por aí. Elas estao tentando vender um produto que satisfaz uma necessidade minha (teoricamente) mas nao escutam esta necessidade. Nem querem escutar, nem prestar atençao. Se prestassem, teriam todos os consumidores conquistados automaticamente. E nao se trata de fazer pesquisa qualitativa em busca de insights. A Apple nao faz pesquisa, e o Henry Ford disse que o consumidor queria mesmo era uma carruagem mais confortável. Trata-se de prestar atençao.

É disso que eu gosto na propaganda, no marketing. Com umas horas pensando, podemos resolver um problema, solucionar algo errado na vida de muita gente. Ganhamos dinheiro por resolver a vida de muita gente (acabar com as espinhas ergo com a insegurança de muitos adolescentes), ao invés de gerar mais insegurança. Descobrir uma nova maneira de facilitar o domingo à noite inventando o delivery. As passagens low-cost, os sites de relacionamento, qualquer coisa que get us through the night.

É por isso que eu nao gosto da propaganda de hoje. Trabalhamos para um cara que quer falar com uma multidao, e nao para uma multidao que  busca uma soluçao para um problema e que uma só pessoa resolveu. E o cinismo é tanto que vai aparecer alguém dizendo que eu sou idealista. Sou tao idealista quanto Steve Jobs, Marc Zuckeberg, Henry Ford ou milhoes de pessoas que trabalham resolvendo problemas. Esses milhoes sao minoria, mas sao muitos.

É por isso que eu gosto da internet. Ela permite que essas minorias idealistas se conectem, troquem informaçao, tempo,  vontade. Se eu tivesse nascido há 50 anos, estaria na Paraíba, trabalhando num órgao público, criando minino e ficando careca. Achando o mundo um lugar chato, cheio de gente que prefere obedecer regras e fazer tudo como se fazia no século retrasado. Fazendo a mesma coisa, com a mesma frequência, tudo medido, contado, contabilizado.

É por isso que eu nao gosto da internet. Passamos tempo demais vendo coisas demais em quantidades demais. Ninguém está na mesma largura de onda de ninguém. Agora, enquanto escrevo isso, Ovídio dorme, Kk tá estudando e o Helio foi pra farra. Vivemos em tempos diferentes, comunidades e dimensoes diferentes, e mesmo assim, mantemos uma conversa atemporal e dispersa, com a impressao de estar conectada.

O difícil é unir, sempre, porque o universo sempre tende ao caos, à desordem e à entropia. No dia que conseguirmos navegar entre a Wyrm e a Wyld, encontramos o equilíbrio.

11 Comments on “You can’t have it all – propaganda é uma profissao para bipolares”

  1. Tarrasko,

    Nem aqui nem na Zooropa você escapa da careca!

    Não sei se você já assistiu a esse TED Talk (recomendo ferozmente): http://www.ted.com/talks/alain_de_botton_a_kinder

    Ele faz uma série de observações sagazes sobre a forma de lidar com o sucesso, e numa delas ele cita dois tipos (também bipolares) de livros de auto-ajuda: um que fala que você pode conseguir tudo, e outro que fala de como aguentar melhor suas limitações.

    Outro exemplo: num momento em que se propaga que qualquer um pode ser o novo Bill Gates, quem não chega lá vive o resto da vida frustrado, se sentindo fracassado.

    Agora dá licença, que vou voltar a dormir…

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