Emília não era a heroína do Sítio do Pica-pau amarelo

E lá vou eu com um título que aparentemente não tem nada a ver com nada. Mas eu emendo, já já.

Provavelmente todo mundo que trabalha com comunicação já teve um cliente que não queria desagradar ninguém. Fazia um anúncio pra absorvente e não mostrava sangue. Fazia um anúncio pra seguro de vida e não falava em morte. Vocês entenderam.

No fim das contas, a marca termina ficando sem sal. Sem graça. Vira marca de sabão. Vira uma marca de carros de luxo para a qual trabalhei, que hoje não tem o menor glamour. São planos, secos, rasos, sem conteúdo.

Hoje, mais do que nunca, as marcas contam histórias. Os publicitários são, cada vez mais, geradores de conteúdo.

Toda história é baseada no conflito. Por isso os vilões da Disney têm muito mais charme. Por isso os anti-heróis viraram os heróis do século XX. Por isso ninguém lembra da chata da Narizinho.

Se você quer ter uma marca para todo mundo, que não desagrade ninguém, boa sorte. Mas no fim das contas, todo mundo lembra e gosta mesmo é da Emília, Marquesa de Rabicó e Condessa das Três Estrelinhas.

2 Comments on “Emília não era a heroína do Sítio do Pica-pau amarelo”

  1. @Tarrask, sempre fui (e continuo sendo) fã dos teus títulos. Mesmo os títulos de blog posts. Se eu fosse redator, queria ser feito tu (sendo mais rico). RT @tarrask Emília não era a heroína do Sítio do Pica-pau Amarelo

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