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Artigo publicado no jornal Contraponto, de João Pessoa, Paraíba

Estamos numa era em que qualquer pessoa pode publicar um livro, um filme ou uma foto. E como reza a estatística, até um milhão de macacos com uma máquina de escrever são capazes de, um dia, escrever Hamlet. É possível estar completamente informado hoje sem pagar por um jornal, e é possível fazer campanhas de publicidade extremamente eficientes, com resultados mensuráveis, por uma pequena porcentagem do que se fazia há 20 anos. Tudo isso porque as pessoas têm hoje mais poder comunicativo nas mãos. Qualquer um, com poucos equipamentos, e que a cada dia são mais baratos, pode criar, produzir, editar e publicar este conteúdo. Qual é o papel do profissional de comunicação aí?

Ajudar as pessoas a dizerem o que querem dizer. Não há mais sentido em dizer: “a minha marca é ótima. compre!”. A comunicação deve dizer: “a minha marca é essa. fazemos isso e aquilo para você. Não acha ótimo?” A diferença é sutil e brutal, como tudo nessa revolução paradoxal da tecnologia. O que importa mesmo é a opinião das pessoas, porque são elas que vão repetir, fazer a caixa de resson”ncia da sua própria opinião. Estamos em uma era em que o Congresso não representa o povo, mas que este pode representar-se a si mesmo, e ser ouvido, se alguém souber ouvi-lo bem. E não são congressistas ou jornalistas, simplesmente por serem, que irão fazê-lo. Eles precisam aprender a ouvir a voz rouca das ruas, que é bem diferente da que havia há anos.

Todo publicitário já fez um anúncio para Nike ou para Lego. Claro, a maioria nunca trabalhou para eles, e por isso, esses anúncios nunca saíram. O problema é que, quando é possível colocar seus anúncios na Internet, e as pessoas podem divulgar a quem queiram, acontece como recentemente sucedeu com a marca de lingerie Wonderbra, que teve seu maior sucesso comunicativo de alguns anos feito, há menos de um mês, por dois publicitários, por diversão, e que funcionou de maneira fantástica. Então, o que a empresa faz com isso? O que fazer com um sucesso devido ao público, e não à sua agência?

Continuar pagando a agência?

Procurar uma agência para administrar o sucesso? Contratar os dois como freelances? Como sempre, eu lanço as dúvidas. O público, se quiser, resolva. A resposta é fácil.

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