O Google não faz propaganda. E o SuperBowl foi o quê?

Discussão que tá rolando em vários blogs. Também quero dar pitaco.

Voltando para o primeiro período de Publicidade da faculdade. O Google continua não fazendo propaganda. Faz Publicidade, pura e dura. Este vídeo anunciado no Super Bowl da semana passada não argumenta, não convence, não nada. Simplesmente diz pra quê serve o produto, gente.

Duvido você fazer isso pra grande maioria dos produtos.
O anúncio da sua construtora teria que dizer: fazemos prédios. O da suas sandálias de plastico: não fede nem solta as tiras. O do seu carro: vai pra frente e vai pra trás. Nada além disso.

Dizer que Google serve para buscar (e mostrar as diferentes buscas que você pode fazer) é um argumento de venda de pouquíssimos clientes.

Por isso, principalmente neste novo milênio, quase todas as marcas misturam publicidade com propaganda. Vendem muito mais uma ideia do que o produto. Por quê? Porque não há, quase, produtos únicos ou inimitáveis.

Um iPod é imitável. Taí o G1 que compete, perdendo em uns lados e ganhando noutros.

Mas é impossível competir, hoje, em termos de produto, com o buscador do Google.

Criativo? Não. E nem precisa.
Lembro uma vez de ouvir o Nizan falar numa palestra que o título que ele escolheria para anunciar a cura da AIDS seria: “descoberta a cura da AIDS”. Nada mais, porque é um produto que todo consumidor em potencial compraria, não precisa de firulas nem títulos a la Mohallem para convencê-lo a ler a página inteira, procurar mais na internet e até implorar pro médico receitar.

Google é igual. Não precisa criar um claim do tipo: “a melhor busca que você pode encontrar”, ou “a busca mais divertida”, “a busca mais nutritiva”, ou qualquer outro que você pense por aí. Ele simplesmente já é sinônimo de busca.

E mostra isso no anúncio.

Este vídeo, de 1 minuto, ensina coisas que muita gente que usa o Google a diário não sabe. Você sabia que pode fazer o tracking de um voo, calcular a conversão diária de moedas, medidas ou perguntar a resposta pra vida, o universo e tudo o mais, e o Google responde?

Enfim, jogada genial, mas não significa que vamos ver cada vez mais anúncios dizendo que o Google é legal, nem nada disso.

Afinal, não nos enganemos. Não existe publicitário que trabalhe numa rede multinacional que não tenha medo do Google. Mountain View ainda é o maior inimigo da Madison Avenue.

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