Mudando de mercado: como estagiar em São Paulo ou em Londres

Tenho uma amiga que tá louca pra mudar de cidade, país e mundo, se possível. E fica me perguntando o que fazer pra mudar de cidade. Ela trabalha com publicidade.

Na minha condição de viajante e mudador de trabalho e carreira oficial do blog, vou dar as dicas:

1 – Esteja preparado para pagar o pato
Significa que se você é redator sênior no Recife, vai ser estagiário em praticamente qualquer outro lugar. Lógico que é mais fácil ser promovido, afinal você não precisa aprender de novo como a coisa funciona, mas sim, as pessoas se aproveitam que você veio de fora, e você vai ter que aceitar. E não interessa a qualidade da sua pasta. Já ouviu falar em gente com Leão estagiando em SP? Pois.

2 – Prepare-se. Seu mundo vai cair no mínimo uma vez por dia.
De repente, alguém vem e te diz que é impossível fazer um comercial ao vivo. Você retruca: “mas já fizeram. Não lembra daquele caso do…” Aí te cortam e te deixam falando sozinho. A vida é dura. As referências e o background são os do lugar onde você está, não os que você tem.

3 – Pense rápido, fale devagar.
Propaganda é uma indústria que vive de inovação, mas há um limite. Se você está num brainstorm com seu chefe, não seja o primeiro a dizer que a ideia já saiu, sempre. É bem possível que você já tenha visto um monte de coisas publicadas parecidas, mas que o pessoal na sua agência não tenha visto. Aliás, o público também não. Se a sua língua for muito rápida, nesse caso você vai ser apenas um chato.

4 – Mochila para terremotos.
Saiba o que você realmente precisa para viver. Computador (ou a senha do servidor in the cloud) com seus trabalhos e backups, documentos e reservas financeiras em dia. Você nunca sabe quando vai decidir/vai pintar aquela vaga/aquele curso/aquela oportunidade/aquela demissão ótima que vai te levar pra outra cidade.

5 – Anote/fotografe/registre tudo o que for de diferente.
E mande pro seu backup, organizado. Ou mande pelo correio pra casa da sua mãe. Ou vá guardando, mas cuidado com o peso da mochila. Você vai ver muita coisa diferente no cotidiano das pessoas, e isso sempre é bom, e sempre é uma referência mais importante do que o anuário do Golden Snail da Nova Inglaterra.

6 – A internet é a grande conexão.
Devo[bb] conhecer pessoalmente, no máximo, 5 pessoas que pisaram no Rio Grande do Sul. É a mesma quantidade de pessoas que conheço pessoalmente que pisaram em Cingapura. Ou no Peru. Mas online, esse número dá pra multiplicar por dezenas, às vezes centenas. E é sempre mais fácil arrumar os contatos hoje em dia do que na época na qual as cartas de recomendação realmente faziam sentido.

7 – Viajar não é conhecer lugares diferentes.
Mudando o ambiente, você também muda. Porém, algumas coisas permanecem constantes. Estas são o que você é de verdade. A sua essência. Sair do seu país (ou do lugar onde você nasceu) é a última e mais importante viagem interior que alguém pode fazer.

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