Eu só peço uma página

Artigo publicado no Jornal Contraponto, de João Pessoa, Paraíba.

A maior empresa do mundo, e a que mais cresceu na história da humanidade, pode basicamente explicar seu produto estrela dizendo que é um buscador automatizado que tenta aprender, através de algoritmos, como fazer pesquisas e gerar melhores resultados na internet.

Henry Ford enriqueceu sem inventar o automóvel, mas ao dividir a produção dos carros em partes pequenas, e dar a cada uma delas uma pessoa responsável.

Não é necessário ter uma idéia mirabolante para mudar a sua empresa, o seu plano de marketing, a sua campanha, a sua comunicação. É necessário algo simples, sintético, direto. Algo que todo mundo entende.

Se um dia, o responsável por uma empresa apresenta um relatório de 200 páginas explicando o sucesso, o futuro ou o passado de uma campanha de comunicação, está mentindo, ou não tem a menor idéia do que está falando. Se tiver trabalhado de verdade, pode apresentar o seu trabalho em uma tela, num keynote (dizer um powerpoint agora é passado, mais uma derrota da microsoft).

O grande problema é que qualquer pessoa pode escrever uma página. Como mostrar que há muito conteúdo por trás, muito raciocínio e depois muito poder de concisão?

É como a velha metáfora do homem que é chamado para fazer a fábrica voltar a funcionar, porque todo mundo já tinha tentado tudo, e as máquinas sempre davam problema. Ele vem e aperta um só parafuso, e tudo volta ao seu devido lugar, sem nenhuma falha. E ele cobra uma fortuna, somente para apertar aquele parafuso específico, que impedia todos os mecanismos de funcionarem. Claro. O difícil é acertar no parafuso certo.

Em publicidade, ouvir comentários assim é muito comum. “O quê, receber dois milhões por um slogan?”, “Uma semana para tirar uma foto?”, “Esse texto até o binino que mexe com Corel da empresa escreve”.

Posso citar de memória dez milhões de casos de idéias simples, que podem ser explicadas de maneira casual, mas que são difíceis de ser executadas e quase impossíveis de serem repetidas, porque têm uma quantidade absurda de raciocínio e reflexão por trás. Tirar as azeitonas das empadas dos aviões, “isso não é Sadia”, explorar palavras-chavão no mundo dos negócios, escrever sobre esoterismo.

Inovar é isso: passar centenas de horas pensando, para chegar a uma conclusão simples e breve, mas que dê resultado. E perdoem por ter sido tão prolixo, não tive o tempo necessário para escrever em menos palavras.

0 Comments on “Eu só peço uma página”

  1. Claro, pero eso es como la gente que ve un cuadro de Miró y dice “Eso lo hace mi sobrino” (0.60…). La cuestión es ser el 1″º en hacer esas 4 líneas y manchas en un lienzo…y lo mejor: venderlo.

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